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Plataforma opositora monitora eleições cubanas "sem grandes dificuldades"

26/11/2017 20h49

Havana, 26 nov (EFE).- Opositores cubanos desenvolvem "sem grandes dificuldades" tarefas de observação independente das eleições municipais que ocorrem neste domingo em Cuba, onde alguns grupos denunciaram a detenção de seus ativistas e a impossibilidade de algumas pessoas votarem por não aparecerem no censo.

A plataforma Cidadãos Observadores do Processo Eleitoral (COPE) desdobrou 275 integrantes em 13 das 15 províncias da ilha para realizar uma "observação itinerante" do processo no qual serão eleitos 12.515 delegados às assembleias municipais de poder popular, um cargo equivalente ao de vereador.

"Até meio-dia, sobretudo em Havana, os observadores podiam fazer o seu trabalho sem grandes dificuldades", disse à Agência Efe o dissidente moderado Manuel Cuesta Morúa, porta-voz da plataforma cidadã #Otro18, que pela primeira vez tentou postular candidatos independentes a este pleito, embora não tenha conseguido.

No total, estavam aptos a concorrer 182 candidatos independentes nas assembleias de indicação nas quais entre setembro e novembro os moradores de cada bairro votaram nos candidatos que concorrerão às eleições, mas nenhum conseguiu os votos necessários.

A plataforma denunciou "fustigação" e "violações da lei eleitoral" por parte das autoridades cubanas durante todo esse processo.

Neste domingo, durante a primeira metade da jornada de votação, segundo Morúa, ocorreram algumas detenções, como a retenção temporária do coordenador de COPE na província ocidental de Pinar del Río, Yaimel Rodríguez, "quando estava indo votar como um cidadão normal".

O porta-voz de #Otro18 destacou, além disso, que os observadores reportaram uma afluência de eleitores menor do que o habitual nas primeiras horas após a abertura dos colégios.

Segundo dados oficiais, desde a abertura dos colégios às 7h local (10h, em Brasília) e até as 9h local (12h, em Brasília) tinham votado cerca de dois e meios milhões de eleitores dos mais de oito milhões chamados às urnas, o que representa 29% do censo eleitor.

Por outro lado, a promotora da campanha Cuba Decide, Rosa María Payá, também denunciou a detenção de ativistas que tinham se somado à sua proposta de anular a cédula de votação escrevendo nela a palavra "plebiscito" e de solicitar que os votos em branco fossem contabilizados como válidos no cômputo final.

A intenção de Payá era a de entregar em colégios eleitorais de várias províncias, seis deles em Havana, solicitações formais para reivindicar que as cédulas em branco, que costumam ficar invalidadas, fossem contadas como votos válidos.

Payá, filha do falecido líder opositor Oswaldo Payá, disse à Efe que "alguns não a deixaram nem chegar ao colégio", especialmente nas províncias do leste, e detalhou um caso no qual vários opositores " não lhes deram citação para votar e também não a seus simpatizantes".

Na província das Tunas "pelo menos oito" dissidentes não puderam votar, ou porque não figuravam no censo e ou porque foram detidos antes de votar.

A organização Cuba Decide, que se define como "uma iniciativa cidadã não partidária e plural", promove a realização de um plebiscito em Cuba para mudar o sistema político da ilha.

O Governo cubano, por sua vez, considera aos dissidentes contra-revolucionários e mercenários o serviço de interesses estrangeiros.

As eleições municipais deste domingo abrem o processo que, segundo o calendário previsto, terminará em fevereiro com o substituto de Raúl Castro na presidência.

São também as primeiras realizadas no país caribenho após a morte do ex-presidente Fidel Castro, cujo falecimento completou um ano ontem.

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