Líder da Esquerda Verde recebe novo mandato para formar governo na Islândia

Copenhague, 28 nov (EFE).- A líder da Esquerda Verde, Katrín Jakobsdóttir, recebeu nesta terça-feira um novo mandato do presidente da Islândia, Guðni Jóhannesson, para pactuar um governo, depois de três semanas de discussões informais com conservadores e centristas.

Jakobsdóttir tinha negociado primeiro com outras três forças de centro-esquerda, mas as conversas fracassaram pela retirada do Partido Progressista por conta da fraqueza da coalizão, com 32 das 63 cadeiras do parlamento, razão pela qual a líder da Esquerda Verde devolveu o primeiro mandato e buscou outras fórmulas.

A fragmentação do panorama político - oito forças obtiveram cadeiras - e o receio entre vários partidos tinham feito aumentar as vozes a favor de uma negociação entre as duas forças mais votadas, embora em teoria distantes ideologicamente, o conservador Partido da Independência e o Movimento da Esquerda Verde.

As discussões entre estes e os "progressistas" tinham avançado nos últimos dias, e após o mandato oficial entregue hoje a Jakobsdóttir, só resta que as forças políticas implicadas votem o acordo, segundo meios de comunicação islandeses, que especulam que um novo Executivo poderia ser apresentado no final da semana.

A coalizão de governo, inédita na política islandesa, somaria 35 mandatos e incluiria como até agora 11 pastas, das que cinco seriam para os conservadores - incluindo Finanças, Exteriores e Interior - e três para cada um das outras forças.

Embora o Partido da Independência tenha vencido o pleito do último dia 28 de outubro, foi a legenda que mais perdeu cadeiras (caiu de 21 a 16), além de que as eleições foram convocadas por um escândalo que afetou seu líder, o primeiro-ministro Bjarni Benediktsson, motivo pelo qual o mandato passou para Jakobsdóttir.

A líder da Esquerda Verde defendeu o pacto com a direita se justificando pelo difícil panorama político na Islândia, que realizou duas eleições antecipadas em um ano e cujo parlamento fragmentado abriga oito partidos, um número recorde para o país.

Mas a sua decisão já foi contestada por dois dos 11 deputados da Esquerda Verde e pela juventude do partido, que nos últimas pesquisas viu seu apoio se reduzir.

As eleições foram convocadas após o rompimento da coalizão entre conservadores, "progressistas" e o centrista Futuro Brilhante após a revelação de que Benediktsson tinha ocultado que seu pai recomendou que fosse "restituída a honra" - polêmica figura legal abolida depois pelo parlamento - de um amigo seu condenado por pedofilia.

A Islândia, que em 2008 viveu a pior crise econômica da sua história recente, já tinha realizado pleitos antecipados um ano antes pela renúncia do então primeiro-ministro, o centrista Sigmundur David Gunnlaugsson, devido à sua vinculação com os chamados Panama Papers.

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