Deputadas alemãs fazem vídeo para mostrar sexismo no cotidiano do parlamento

Berlim, 29 nov (EFE).- Deputadas alemãs de diferentes partidos narraram em um vídeo o sexismo existente no Bundestag, o parlamento do país, revelando declarações diretas ou veladas de discriminação ouvidas por elas pelo fato de serem mulheres.

O projeto, elaborado pela emissora regional pública "WDR", tem como base entrevistas feitas com um total de 45 deputadas. O primeiro vídeo da série, de cerca de dois minutos, foi publicado na internet e traz parlamentares como Margi Stumpp, do Os Verdes, elogiada por sua "competência", mas também por ter a "melhor bunda".

"Por que temos nos submetido às mulheres durante séculos? É porque deu um bom resultado", ouviu a deputada Elisabeth Motschmann, da União Democrata-Cristã (CDU), partido da chanceler Angela Merkel.

Ministra da Saúde entre 2001 e 2009 e vice-presidente do Bundestag na última legislatura, Ulla Schmidt ouviu o seguinte: "Você não é tão feia para ter tido que se dedicar à política".

Piscadas de olho de colegas homens, elogios constrangedores e outros relatos foram feitos pelas deputadas no vídeo. Mas há também discriminação quanto aos cargos que elas ocupariam no parlamento.

Bettina Hagedorn lembra de sua primeira reunião para a divisão de postos com o grupo parlamentar do Partido Social-Democrata (SPD). Por ser mulher e nova na casa, ela deveria ir para as comissões de Educação ou Assuntos Sociais, sugeriram os colegas.

"Não, quero ir para a Comissão de Finanças", respondeu.

Já para Christine Aschenberg-Dugnus, do Partido Liberal, foi oferecido uma vaga nas comissões de Assuntos Sociais ou de Cultura, cargos corretos para ela por ser mãe de uma criança pequena.

Na opinião da social-democrata Leni Breymaier, a questão não trata apenas de sexualidade, mas de poder.

"Quando uma mulher diz algo melhor, ou igualmente bem, você não verá um homem se referindo a ela, mas sim ao outro homem", explicou Motschmann, revelando o que chama de "sutis mecanismos" do sexismo dentro do mundo político.

No parlamento eleito nas eleições de setembro, apenas 218 das 709 cadeiras são ocupadas por mulheres, um índice de 31%, menor que os 37% da legislatura anterior.

Por partidos, Os Verdes se destacam pela maior presença feminina (58%), seguidos pela Esquerda (54%) e o SPD (42%). Todos contam com cotas para mulheres.

O percentual entre os deputados do Partido Liberal cai para 22,5%. Já a CDU, de Merkel, tem apenas 20%. O menor índice, no entanto, é na ultradireitista Alternativa para Alemanha (AfD), com apenas dez mulheres nas 92 cadeiras obtidas pelo partido.

Uma das deputadas do AfD, Beatrix von Storch, preferiu ter uma posição diferente das companheiras que participaram do vídeo.

"Aqui as mulheres podem ser tudo e o são, até chanceler. Tudo é possível, tudo vai bem", avaliou.

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