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Polícia dinamarquesa encontra braço que pode ser de jornalista desaparecida

29/11/2017 12h24

Copenhague, 29 nov (EFE).- A polícia dinamarquesa encontrou nesta quarta-feira um braço na baía de Køge (sul de Copenhague), que certamente pertence à jornalista sueca Kim Wall, desaparecida em meados de agosto no submarino do inventor Peter Madsen, preso preventivamente pela acusação de homicídio, entre outras.

"O braço ainda não foi analisado, mas foi achado na mesma zona onde apareceu o primeiro (na semana passada) e foi encontrado da mesma forma (com pedaços de metal). Por isso, podemos supor que está relacionado com o caso do submarino", afirmou em comunicado o chefe da investigação, Jens Møller Jensen.

Jensen declarou ao canal "TV2" que o braço será encaminhado amanhã ao Instituto Médico Legal para ser analisado e revelou que ainda não conseguiram extrair restos de DNA de nenhuma das extremidades superiores que aparentemente pertencem a Wall.

Se for confirmado o achado, as autoridades terão então recuperado todos os fragmentos do corpo de Wall, depois de ter encontrado o tronco do corpo humano em uma praia da capital e as pernas e a cabeça na baía de Køge.

Wall foi vista pela última vez na noite de 10 de agosto a bordo do submarino Nautilus, ao qual tinha ido entrevistar Madsen.

O homem, preso preventivamente sob várias acusações, entre elas homicídio, admitiu em seu último interrogatório, no final do mês passado, que tinha esquartejado a jornalista a bordo do submarino e jogado seus restos no mar, algo que tinha negado até então.

Madsen mudou seu depoimento sobre a morte de Wall, afirmando que não tinha sido provocada por uma queda de forma acidental, e sustentou que a jornalista pode ter morrido intoxicada por monóxido de carbono enquanto ele estava na parte superior do submarino.

As modificações na versão do suspeito, que segue se declarando inocente da morte da jornalista, ocorreram depois que os legistas constataram que o crânio não tinha fraturas e nem sinais de violência, o que desmentia a declaração do golpe na cabeça.

O inventor e a jornalista ficaram desaparecidos por várias horas até que Madsen foi visto de novo em 11 de agosto pela manhã em Køge, onde foi resgatado antes de o submarino afundar.

Madsen disse ter desembarcado a repórter horas depois do início da viagem e que o submarino afundou por uma falha, embora depois tenha mudado sua declaração e foi revelado que o afundamento foi proposital.

Em sua segunda versão, Madsen apontou para uma morte por golpe e afirmou que depois navegou horas sem rumo e pensando em suicídio, embora também teve tempo de tirar um cochilo antes de lançar o corpo no mar, inteiro e com roupa.

A investigação policial já tinha concluído até lá que o corpo foi esquartejado, que o tronco do corpo humano tinha canos de metal fixados e que apresentava ferimentos para extrair o ar de seu interior com o objetivo de que afundasse e não voltasse à superfície.

No computador do inventor foram achados vídeos de mulheres executadas e torturadas, que ele assegura que não serem seus.

"Foguete" Madsen, como é chamado pela imprensa dinamarquesa, é conhecido por seus desenhos de submarinos e por ser o cofundador da firma Copenhagen Suborbitals, criada em 2008 com o objetivo de lançar ao espaço carros tripulados e que decolou com sucesso foguetes experimentais sem pessoas a bordo.