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Merkel e Schulz se reúnem para sondar opções de governo estável para Alemanha

30/11/2017 08h52

Berlim, 30 nov (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, e o líder social-democrata, Martin Schulz, se reúnem nesta quinta-feira na sede da presidência do país para analisar as possibilidades de formar um governo estável e evitar a convocação de novas eleições.

A reunião, na qual Merkel e Schulz se sentarão pela primeira vez na mesma mesa após os pleitos de setembro, está programada para 20h (horário local, 17h de Brasília) e dela participará também o líder conservador bávaro Horst Seehofer, aliado da chanceler.

Todos os focos estarão voltados hoje ao Palácio de Bellevue, onde o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, atuará como moderador de um encontro impensável há dez dias para os militantes do Partido Social-Democrata (SPD), que rejeitou plenamente uma reedição de uma grande coalizão com Merkel após seus maus resultados eleitorais.

"Espero que o presidente do partido lembre os atuais acordos do SPD, ou seja, que o SPD não irá a nenhuma grande coalizão", declarou hoje ao jornal "Neue Osnabrücker Zeitung" o líder da juventude social-democrata, Kevin Kühnert.

Essa, no entanto, é a opção pretendida pela União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel, que ontem voltou a ressaltar a necessidade de "estabilidade" na Alemanha.

"Embora uma grande coalizão não deva ser um estado permanente, os dois grandes partidos têm uma responsabilidade especial com o país. Precisamos de um governo estável", afirmou hoje o ministro de Saúde interino, o conservador Hermann Gröhe.

O presidente alemão, social-democrata eleito por consenso para o posto no último mês de fevereiro, pediu que todos os líderes políticos reflitam, após o fracasso na semana passada das negociações para formar governo que a chanceler tinha iniciado após as eleições com os liberais e os verdes.

A pressão sobre Schulz cresceu e, depois de ter dito "não" de forma reiterada à grande coalizão e ter defendido novas eleições, se abriu para explorar outras possibilidades a pedido do chefe do Estado.

"Não posso dizer-lhes o que sairá dessa conversa, mas sim assegurar-lhes que defenderei a melhor solução para o nosso país", garantiu Schulz ontem em reunião com a patronal alemã, onde concordou com Merkel em que o país precisa de "confiabilidade e estabilidade", mas advertiu que também precisa de "mudança".

Schulz antecipou que os resultados das negociações, seja uma nova grande coalizão ou uma fórmula para um governo em minoria dos conservadores apoiado de fora pelos social-democratas, serão submetidos à votação da militância.

Há quatro anos, a grande coalizão recebeu o aval de 75,9% dos militantes social-democratas, mas o cenário mudou após eleições nas quais se prometeu não reeditar esse modelo e o SPD obteve os piores resultados da sua história (20,5% dos votos).

A reunião de hoje chega ainda precedida de uma polêmica inesperada, depois que o ministro de Agricultura, o conservador bávaro Christian Schmidt, decidiu votar a favor da renovação na União Europeia da licença ao herbicida glifosato, quando os social-democratas estavam contra e, por respeito ao acordo de governo, a Alemanha devia ter se abstido.

O SPD considerou o movimento uma ruptura explícita do pacto de coalizão e Merkel, em uma tentativa de moderar os ânimos, advertiu Schmidt em público e pediu a todos os ministros respeito aos acordos.

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