ONU denuncia que 500 pessoas necessitam ser evacuadas de Ghouta Oriental

Genebra, 30 nov (EFE).- O responsável humanitário da ONU para a Síria, Khan Egeland denunciou nesta quinta-feira que 500 pessoas precisam ser evacuadas imediatamente de Goutha Oriental por conta de ferimentos ou doenças graves potencialmente mortais

Apesar disso e dos esforços da ONU para evacuá-los, as partes em conflito não permitem.

"Homens com poder têm listas com nomes de crianças que morrerão se não forem evacuadas, mas não nos dão sinal verde para fazer isso", denunciou Egeland em entrevista coletiva.

Destas 500 pessoas, 220 são mulheres e crianças e 167 menores de idade, especificou o responsável após a reunião semanal do grupo de trabalho sobre acesso humanitário na Síria.

Em tal encontro, Egeland insistiu aos países com influência sobre as partes que façam todo o possível para permitir tais evacuações.

"Nove pessoas desse grupo já morreram, e muitas mais seguirão falecendo se não forem permitidas as evacuações", afirmou, agregando que "os hospitais em Damasco, que estão a apenas 40 minutos, estão prontos para recebê-los".

"Os países no grupo de trabalho (Rússia, Estados Unidos e Irã, entre outros) disseram que fariam o que estivesse em suas mãos para conseguir a evacuação.

"Disseram que fariam das evacuações uma prioridade".

A região de Goutha Oriental, nos arredores de Damasco, é o principal reduto da oposição, e nas últimas três semanas sofreu uma escalada da violência que causou a morte de mais de 150 pessoas.

No entanto, na segunda-feira foi anunciado um cessar-fogo de 48 horas a partir do dia 28, o que "reduziu consideravelmente a violência, mas não permitiu as evacuações".

A trégua permitiu, no entanto, que um comboio da ONU entregasse comida a 7 mil pessoas das 400 mil que residem na área de Goutha Oriental.

"A situação é catastrófica", definiu Egeland, que lembrou que 12% das crianças menores de cinco anos dessa região sofrem de desnutrição grave", o que representa 6 vezes mais do que havia no início de 2017".

Consultado sobre a possibilidade de o cessar-fogo se expandir, Egeland disse que seria bom, mas lembrou "que dois dias não são suficientes para alimentar 400 mil pessoas".

O responsável humanitário destacou que Goutha Oriental não é a única zona sitiada que existe no país, e lembrou que há outras áreas onde a ONU não pode entrar há meses, como Yarmouk, Frua e Kefraya.

"A situação é desesperadora em muitos lugares. Em Al-Hasakeh (nordeste), por exemplo, há crianças que em pleno inverno estão descalças", denunciou.

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