Presidente croata diz que TPII não cumpriu objetivo por politização

Zagreb, 30 nov (EFE).- A presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarovic, afirmou nesta quinta-feira que o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) não cumpriu seus objetivos e o acusou de estar politizado, um dia depois do suicídio de um criminoso de guerra bósnio-croata enquanto escutava sua sentença.

"Como presidente da Croácia, farei tudo para que esta sentença não piore as relações entre os povos na Bósnia-Herzegovina. Vou visitar a Bósnia-Herzegovina o mais rápido possível", declarou em entrevista coletiva.

O TPII da Haia confirmou ontem as penas a seis ex-líderes bósnios-croatas por crimes de guerras cometidos em 1993-1994 contra civis bósnios-muçulmanos durante a Guerra de Bósnia.

Um dos condenados, o general Slobodan Praljak, ingeriu veneno enquanto escutava a sentença na sala de audiência, em uma cena que foi filmada ao vivo pelas televisões, e morreu pouco depois em um hospital da Haia.

Kitarovic disse hoje que "o ato sacudiu os corações do povo croata".

Em um tom mais moderado do que o usado ontem pelo primeiro-ministro croata, Andrej Plenkovic, que disse que a sentença foi injusta, a presidente indicou que os bósnios-croatas também cometeram crimes de guerra e pediu força para reconhecer que "compatriotas na Bósnia cometeram crimes e devem prestar contas por isso".

Assim, pediu a todos os povos da Bósnia-Herzegovina e da antiga Iugoslávia que "abram uma nova página" de reconciliação.

A presidente acusou o TPII, encarregado de julgar os crimes na antiga Iugoslávia, que ter se transformado em um "árbitro político que tratou de igualar a culpabilidade" na guerra.

"Esse tribunal não cumpriu seu objetivo fundamental", opinou a presidente croata, que afirmou que a principal falha foi "não ter reconhecido que todos os horrores de guerra na Croácia e na Bósnia-Herzegovina foram originados pela política criminosa do ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic".

"Infelizmente, os idealizadores e dirigentes dos fatos não foram processados e nem punidos", disse Gravar-Kitarovic.

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