Promotor vê indícios de tortura em agressão de policiais a presos em Goiás

Goiânia, 30 nov (EFE).- O Ministério Público de Goiás abriu um processo nesta quinta-feira para investigar as agressões feitas por grupos de policiais contra detentos em várias prisões do estado.

Marcelo Celestino, promotor da área do sistema de prisões do MP, vê indícios de tortura e maus tratos na atuação dos policiais, mas lembrou que as conclusões da investigação dependem da área criminal.

As imagens, registradas há um ano e tornadas públicas apenas esta semana, mostram agentes do Grupo de Operações Penitenciárias (Gope) usando pistolas de choque elétrico contra presos em situações que não eram de confronto.

Os vídeos, disponibilizados à Agência Efe pela Polícia Civil e pelo MP, foram enviadas por um agente do Gope que denunciou o abuso de seus companheiros.

Em um deles, policiais obrigam um detento a se levantar e lhe dão um choque pelas costas, enquanto os demais permanecem sentados no chão, com as cabeças abaixadas e as mãos na nuca.

Celestino denunciou que a atuação da polícia, registrada nos vídeos, é comum nas prisões do Brasil, onde as organizações de direitos humanos denunciam graves problemas de insegurança, superlotação e más condições.

"O próprio responsável disse que é uma conduta normal. Se é normal, isso tem que ser mudado. Pode ser lógico quando acontece uma rebelião, aí se pode usar a força, mas depois não cabe o uso da força, a população carcerária está sob os cuidados deles", afirmou Celestino.

Celestino alertou que esse tipo de ação é comum nas prisões do Brasil, mas são " ilegais e precisam ser reprimidas com rigor".

O promotor propôs ao grupo de operações especiais assinar um termo de compromisso para definir sua atuação e a reciclagem dos agentes especiais, com uma formação humanitária.

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