Cruz Vermelha identifica 88 dos 123 soldados sem identidade das Malvinas

Genebra, 1 dez (EFE).- A equipe legista do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) que analisou os restos de 123 soldados argentinos sepultados sem identificação no cemitério Darwin nas ilhas Malvinas conseguiu estabelecer a identidade de 88 deles, confirmou nesta sexta-feira a organização.

No final do ano passado, a Argentina e o Reino Unido decidiram conjuntamente outorgar ao CICV a responsabilidade de realizar a identificação desses soldados argentinos mortos na guerra que esses países travaram em 1982.

O objetivo deste trabalho foi estritamente humanitário, com o único fim de identificar a maior quantidade possível de soldados argentinos enterrados no cemitério de Darwin.

O trabalho de exumação dos corpos acabou no último mês de agosto e hoje o CICV entregou os relatórios às delegações da Argentina e do Reino Unido.

"Estamos satisfeitos em saber que será possível devolver a identidade a muitos dos soldados não identificados e, com isso, oferecer respostas a uma grande parte das famílias que esperam há mais de 30 anos", afirmou o diretor de Atividades Operacionais do CICV, Dominik Stillhart.

Os resultados foram apresentados às delegações da Argentina e do Reino Unido na sede do CICV em Genebra, durante uma reunião presidida por Stillhart.

Os embaixadores Héctor Marcelo Cima, da Argentina, e Julian Braithwaite, do Reino Unido, lideraram suas delegações e da cerimônia também participou o secretário de Direitos Humanos e Pluralismo Cultural argentino, Claudio Avruj.

O trabalho foi realizado por 14 especialistas legistas de várias nacionalidades que se dedicaram a exumar, analisar, obter amostras e documentar cada um dos restos mortais não identificados.

Após a cuidadosa análise realizada em um necrotério temporário equipado com alta tecnologia no cemitério de Malvinas, cada um dos corpos exumados foi colocado em um novo caixão e sepultado em seu túmulo original no próprio dia da sua exumação.

As amostras para análise genética foram verificadas no laboratório legista da Equipe Argentina de Antropologia Legista (EAAF) em Córdoba (Argentina), onde estão as amostras de referência dos familiares.

Em paralelo, outros dois laboratórios no Reino Unido e na Espanha se encarregaram do controle e da asseguração da qualidade da análise de DNA.

As autoridades argentinas informarão dos resultados de maneira bilateral e confidencial às famílias que solicitaram a identificação de seus parentes.

A guerra pela soberania das Ilhas Malvinas começou em 2 de abril de 1982 com o desembarque de tropas argentinas no arquipélago e concluiu em junho desse mesmo ano com sua rendição perante as forças enviadas pelo Reino Unido.

Nesse conflito morreram 255 britânicos, três ilhéus e 649 argentinos, dos quais 123 estão enterrados como "soldados desconhecido" nas ilhas.

A Argentina reivindica a soberania das Malvinas desde 1833, quando ficaram sob domínio britânico.

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