Justiça turca ordena prisão de ex-funcionário da CIA por golpismo

Istambul, 1 dez (EFE).- Um tribunal de Istambul emitiu nesta sexta-feira uma ordem de detenção contra Graham E. Fuller, que foi agente da CIA durante mais de duas décadas e trabalha como consultor político e professor desde 1988, por seu suposto envolvimento na tentativa fracassada de golpe de Estado na Turquia em 2016.

As acusações contra o americano Fuller são "violar a Constituição turca, tentar derrubar o governo, interferir nas tarefas governamentais e espionagem", segundo a agência "Anadolu", que citou fontes do Ministério Público da Turquia.

O governo turco acusa o pregador Fethullah Gülen de ter instigado a tentativa de golpe, mas o clérigo, que vive exilado na Pensilvânia (EUA), nega qualquer envolvimento com o levante.

Segundo a "Anadolu", Fuller interveio no final dos anos 1990 para que o governo americano concedesse uma permissão de residência a Gülen e continua defendendo a rede de simpatizantes do pregador na imprensa.

O poderoso grupo controlado por Gülen foi um fiel aliado do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), que governa a Turquia desde 2002, até que ambos se enfrentaram em uma dura luta de poder a partir de 2013.

A Turquia pede há um ano a extradição de Gülen, mas a Justiça americana considera que a solicitação não apresenta provas suficientes da suposta atividade criminosa do pregador religioso.

O caso teve reflexos na boa relação entre Turquia e EUA e levou a uma série de confrontações jurídicas, como a prisão na Turquia do pastor americano Andrew Brunson em 2016 e a de Metin Topuz, um veterano funcionário turco do consulado americano em Istambul, em setembro, atribuindo a eles, em ambos casos, vínculos com o grupo golpista.

A tensão aumentou ainda mais com a detenção do empresário turco-iraniano Frisa Zarrab nos Estados Unidos por suposta fraude em transações comerciais destinadas a evitar o embargo americano sobre o Irã em 2011 e 2012.

Ontem, Zarrab testemunhou no julgamento, no qual também são acusados um banqueiro turco detido nos EUA e, à revelia, vários integrantes do alto escalão do governo turco. Zarrab garantiu que o próprio presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, tinha conhecimento da engenharia financeira fraudulenta quando era o primeiro-ministro do país.

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