Hamas promete "intifada" se EUA reconhecerem Jerusalém como capital de Israel

Cidade de Gaza, 2 dez (EFE).- O movimento islamita Hamas prometeu neste sábado em comunicado uma "escalada" da "intifada de Jerusalém" se o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconhecer a cidade como capital de Israel, diante dos rumores de que isto poderia acontecer na próxima semana.

"Vendo o que circula nos meios de comunicação sobre a intenção do presidente Trump de declarar a cidade de Jerusalém capital eterna e indivisível do ocupante (...), advertimos sobre as consequências de tal decisão", diz o comunicado.

Se isso acontecer, acrescentou o Hamas, será uma "flagrante agressão à lei internacional que considera Jerusalém território ocupado" e um modo de legitimar "os crimes de judaização da cidade e a expulsão dos palestinos".

Após suas considerações, o Hamas convocou os palestinos para realizarem um levante em Jerusalém.

"A Intifada de Jerusalém" é como alguns palestinos denominam a onda de agitação e violência que começou na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental no final de 2015.

Desde então, 43 israelenses, dois turistas norte-americanos, um eritreu, um palestino e uma estudante britânica morreram por ataques de palestinos - com facas, armas de fogo e atropelamentos - e mais de 270 palestinos foram assassinados por fogo israelense, a maioria deles agressores.

A violência, no entanto, caiu significativamente nos últimos meses.

Na sexta-feira, o escritório do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, advertiu sobre os potenciais efeitos destrutivos que teria o reconhecimento de Jerusalém como capital israelense por parte de Trump, o que significaria a negação da reivindicação palestina de tornar Jerusalém Oriental como a capital de seu futuro Estado, informou o jornal israelense "Yedioth Ahronoth".

A publicação israelense citava Abbas dizendo: "o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel e a mudança da embaixada americana para Jerusalém representa o mesmo nível de perigo para o futuro do processo de paz e empurra a região para a instabilidade".

Trump decidirá na segunda-feira se renovará o documento que adia a transferência da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, como faziam os seus antecessores pontualmente a cada seis meses.

Desde ontem, circulam rumores de que o presidente americano poderia adiar novamente a transferência da embaixada, mas que reconheceria a cidade como capital de Israel.

Os palestinos veem Jerusalém Oriental como a capital de seu futuro Estado e se opõem a qualquer mudança que legitime o controle israelense sobre aquela parte da cidade, que foi capturada em 1967 durante a Guerra dos Seis Dias e anexada em 1980.

Essa ação não foi reconhecida pela comunidade internacional e nenhum país tem sua embaixada em Jerusalém, mas em Tel Aviv, a capital econômica de Israel.

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