México tem cerca de 5 mil indígenas deslocados por conflito agrário no país

Eduard Ribas.

San Cristóbal de las Casas (México), 3 dez (EFE).- Cerca de 5 mil pessoas vivem deslocadas e em condições precárias nas montanhas de Chiapas, no sudeste do México, por causa de um conflito agrário entre duas populações indígenas da região.

"O perigo de ocorrer mais violência é iminente. O ambiente é semelhante ao que havia antes do massacre de Acteal", denunciou o bispo emérito de San Cristóbal de las Casas, Felipe Arizmendi, em referência ao massacre ocorrido em 1997 que resultou na morte de 45 pessoas da etnia tzotzil.

O confronto atual entre os municípios vizinhos de Chalchihuitán e Chenalhó remonta à reforma agrária feita há 40 anos, que traçou uma linha reta para estabelecer os limites territoriais de cada município, ao invés de respeitar o percurso natural do rio que as separa.

Isto levou a uma troca forçada de terras entre ambos os municípios que provocou um conflito entre famílias, no qual houve uma escalada nas últimas semanas com ataques armados.

A diocese de San Cristóbal de las Casas denunciou que prevalece em Chalchihuitán "um ambiente de terror" gerado por grupos armados ilegais.

Como consequência, cerca de 5 mil moradores se deslocaram para uma região montanhosa, onde estabeleceram diferentes acampamentos improvisados com barracas feitas de paus e cobertores, e expostos às inclemências do tempo.

"Fecharam a estrada e muitas pessoas fugiram com medo para as montanhas. Cerca de 5 mil pessoas de Chalchihuitán se deslocaram, inclusive mulheres, crianças e idosos. Durante as últimas semanas, houve tiroteios e mortes", explicou Arizmendi.

Também há deslocados de Chenalhó, mas "não na mesma quantidade", acrescentou o bispo emérito de San Cristóbal de las Casas.

Os acampamentos nas montanhas estão distribuídos segundo as distintas comunidades indígenas e se compõem de barracos de poucos metros quadrados onde, em alguns casos chegam a dormir 8 famílias.

Para combater o frio da noite, os deslocados acendem fogueiras ao relento, já que muitos perderam todos os seus pertences por causa dos assaltos que sofreram por parte dos moradores do município rival.

Apesar de a organização humanitária Caritas ter mandado alimentos para os deslocados, algumas vítimas afirmam que estão passando fome e muita dor pela situação que estão vivendo.

Uma mulher de Chalchihuitán contou entre lágrimas que todos os seus pertences foram incendiados, que perdeu suas colheitas de milho e feijão, e que "sente muita dor no coração".

"Não vemos uma ação eficaz por parte das autoridades para solucionar esta situação de emergência humanitária, para atender às necessidades imediatas e solucionar o problema", comentou a diocese de San Cristóbal.

O bispo emérito pediu ao governo regional de Chiapas que "busque métodos para enfrentar e acabar com a situação de violência, já que há muitas pessoas armadas e as pessoas de Chalchihuitán estão desprotegidas nas montanhas".

"Insistimos primeiro que ambos os municípios devem resolver seus problemas de forma pacífica. E, segundo, a Sedatu (Secretaria de Desenvolvimento Agrário) deve agir na questão porque isto depende deles", reivindicou o religioso.

Em declarações recentes a uma emissora de televisão, o secretário de Proteção Civil de Chiapas, Luis Manuel García, garantiu que o Executivo regional já começou a elaborar um censo dos deslocados para enviá-los para abrigos públicos.

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