Evo Morales diz que opositores "fracassaram" na campanha contra ele

La Paz, 4 dez (EFE).- O presidente boliviano, Evo Morales, afirmou nesta segunda-feira que os opositores "fracassaram na campanha" contra as eleições judiciais de domingo, apesar de mais de 50% dos eleitores terem votado nulo, como pedia a oposição.

"O que disseram? Disseram que 70% iriam anular. Eu calculo, pelo menos, 50% de votos nulos. E onde estão os 70% da direita? Agora alguns políticos fracassados tentam dizer que o Governo perdeu", sustentou o governante durante uma entrevista coletiva no Palácio do Governo de La Paz.

No domingo, a população boliviana foi às urnas para escolher entre 96 candidatos, selecionados pelo Parlamento de maioria governista, os novos magistrados do Superior Tribunal de Justiça (TSJ), Tribunal Agroambiental (TA), Tribunal Constitucional (TC) e ao Conselho da Magistratura (CM).

Os dados divulgados hoje pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE) com 91,9% das atas eleitorais verificadas dão conta de que 52,75% dos votos foram nulos, 34,01% válidos e 13,24% brancos no caso do TA.

Para o CM, os votos nulos chegaram a 52,72%, os válidos a 31,69% e os brancos a 15,59%.

O cômputo para estes órgãos é nacional, enquanto os dados do TSJ e TC são departamentais.

As porcentagens preliminares de votos nulos para o TC em La Paz chegam a 52,14% e os válidos a 33,42%.

No caso do TSJ, os votos nulos em La Paz são 51,39%, enquanto os sufrágios válidos chegam a 34%.

Morales reivindicou a participação popular no pleito, sob o argumento de que seu Governo não fez "nenhuma campanha", apesar de "a direita ter contratado empresas" para promover o voto nulo e inclusive ter recorrido a "alguns delinquentes".

O líder afirmou que na eleição judicial "o povo elegeu suas autoridades", que agora "não devem aos políticos", como ocorriam em outros governos quando também incidia, segundo sua opinião, a decisão da embaixada dos Estados Unidos.

Esta é a segunda eleição desta natureza realizada na Bolívia, após a de 2011, na qual também houve um alto nível de votação de nulos e brancos acima de votos válidos.

A oposição cantou vitória e sublinhou o caráter de plebiscito que teve a escolha, já que, em sua interpretação, a quantidade de votos nulos expressa também a rejeição à postulação de Morales para as eleições de 2019 validada pelos magistrados do Constitucional.

Na semana passada, o TC se pronunciou a favor da reeleição sem restrições do líder, dando razão a uma demanda de seu partido, apesar de um referendo em 2016 ter negado a possibilidade de voltar a ser candidato.

A decisão aplica um artigo da Convenção Americana de Direitos Humanos acima da Constituição boliviana e sua norma eleitoral, que limitam a presidência a dois mandatos consecutivos.

Morales indicou hoje que na decisão do TC que o habilita de novo como candidato "não há nenhum golpe à Constituição, mas na verdade a a Constituição está sendo aplicada" com base no Direito Internacional.

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