Piñera provoca tempestade política no Chile com denúncia de fraude eleitoral

Manuel Fuentes.

Santiago (Chile), 4 dez (EFE).- A inesperada denúncia feita pelo ex-presidente do Chile Sebastián Piñera sobre votos marcados no primeiro turno das eleições provocou nesta segunda-feira uma grande tempestade política no país, repleta de críticas e alertas ao candidato que busca voltar ao poder.

Piñera denunciou em uma entrevista que no primeiro turno, realizado no último dia 19 de novembro, alguns eleitores receberam cédulas marcadas em favor do candidato governista Alejandro Guillier e da esquerdista Beatriz Sánchez.

"O que eu vi no dia das eleições, e o que mostraram todos os canais de televisão e todas as rádios, é que muita gente recebeu cédulas que já estavam marcadas em favor de Guillier ou de Sánchez", afirmou Piñera, que venceu o primeiro turno com 36,6% dos votos.

"As denúncias foram feitas por cidadãos e reproduzidas pelos veículos de imprensa. Portanto, todos os dados são públicos", afirmou.

O ex-presidente afirmou que não gosta de colocar o sistema eleitoral sob dúvida e exonerou o Serviço Eleitoral de qualquer responsabilidade na fraude. No entanto, Piñera reiterou a denúncia apesar de não apresentar provas concretas que comprovem a ação.

"Você viu como muitos votos na mesa estavam marcados previamente. Vimos todos no dia da eleição e eles estavam marcados para Guillier ou para Sánchez, não para nós", disse Piñera.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, respondeu de forma imediata às denúncias do candidato da coalizão Chile Vamos.

"O Chile tem prestígio internacional por suas eleições corretas e transparentes. Sejamos responsáveis para não desacreditar nossas instituições democráticas", afirmou a presidente no Twitter.

Piñera também recebeu críticas de seu adversário no segundo turno, o senador independente Alexandro Guillier, candidato do governo, que obteve 22,6% dos votos no primeiro turno.

"As acusações de Piñera são uma infâmia", afirmou.

"Isso só é explicável pelo desespero que caiu sobre a direita após o primeiro turno. Diante da crua verdade, eles vão começar a assustar o país", completou o senador.

Quem também falou sobre a denúncia foi Patricio Santamaría, presidente do conselho diretor do Serviço Eleitoral (Servel), órgão autônomo responsável por zelar pela transparência do pleito.

"O que ele está fazendo não é acusar o Servel, mas sim questionar mais de 200 mil chilenos e chilenas que trabalharam como mesários", indicou Santamaría".

"Nossa legislação estabelece todos os mecanismos para que qualquer situação anormal ou irregular seja reivindicada. Pedimos que os candidatos para que atuem com responsabilidade, com comedimento e com prudência", completou.

Santamaría informou que não há uma denúncia concreta de Piñera sobre votos marcados. Para que o Servel investigue qualquer irregularidade, explicou, é preciso ter uma "acusação concreta".

A representante da Frente Ampla, Beatriz Sánchez, que obteve 20,3% dos votos no primeiro turno, atribuiu a denúncia de Piñera à "ambição de poder" do ex-presidente que tenta voltar ao governo.

"Isso não pode justificar que ele falte com o respeito com as milhares de pessoas que atuaram como mesárias", afirmou.

Depois das críticas, Piñera afirmou que sempre foi muito responsável nas afirmações e anunciou que a coligação que o apoia, formado por quatro partidos da direita chilena, enviará militantes às seções eleitorais para fiscalizar a votação no segundo turno.

"Nesse segundo turno vamos fazer um enorme esforço para ter a maior quantidade de fiscais possíveis para que a eleição seja como todos queremos, limpa e transparente", ressaltou.

Sobre a falta de provas de suas afirmações, o ex-presidente reiterou que as denúncias foram "formuladas por cidadãos". Por isso, ele recomendou que seus opositores vejam o que a imprensa do país mostrou no dia do primeiro turno.

Questionado pelos jornalistas, Piñera evitou responder se denunciará ao Servel os "votos marcados" de Guillier e Sánchez.

Por outro lado, José Antonio Kast, candidato da extrema direita derrotado no primeiro turno e que agora apoia Piñera, foi mais longe do que o aliado.

"Claramente houve fraude. Não quero que nos roubem a eleição", disse Kast, sem também apresentar provas.

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