Detenções na fronteira entre México e EUA atingem seu menor nível em 46 anos

Washington, 5 dez (EFE).- As detenções na fronteira entre o México e os Estados Unidos atingiram seu nível mais baixo em 46 anos em 2017, ao serem registradas 310.531, informou nesta terça-feira o Departamento de Segurança Nacional.

"É o nível mais baixo de detenções em 46 anos, não é uma coincidência, é por este presidente (Donald Trump), que gostem ou não está fazendo um bom trabalho", disse durante uma entrevista coletiva em Washington o diretor interino do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), Thomas Homan.

Homan e os demais funcionários do Departamento de Segurança Nacional insistiram na necessidade de construir um muro entre o México e os EUA, apesar da queda significativa na chegada de imigrantes, e afirmaram que o governo voltará a pedir fundos ao Congresso para construir a barreira fronteiriça.

No total, as autoridades americanas detiveram 454.001 imigrantes que viviam de maneira irregular no país, tinham cometido algum crime ou tentaram entrar através da fronteira.

Os agentes do Escritório de Alfândegas e Proteção Fronteiriça (CBP) detiveram 310.531 imigrantes durante o ano fiscal de 2017 - que terminou em setembro -, o que mostra uma queda acentuada em relação ao ano anterior, quando houve 415.816 detenções, e representa o número mais baixo de apreensões na fronteira desde 1971.

Dessas 310.531 detenções, a maioria (303.916) foi registrada na fronteira entre o México e os EUA.

Dos detidos na fronteira, 127.938 eram mexicanos, enquanto 162.891 provinham de El Salvador, Guatemala e Honduras, de onde foge um número crescente de pessoas devido à violência das gangues e do narcotráfico, assim como pela falta de oportunidades econômicas.

Desde a chegada de Donald Trump ao poder, em janeiro, os números de chegadas caíram significativamente, mas em maio começaram a ser registradas altas mensais do número de detenções na fronteira com o México, especialmente famílias e crianças que viajam sozinhas.

Durante todo o ano fiscal de 2017, 104.997 membros de famílias foram detidos na fronteira com o México e outras 48.681 crianças que viajavam desacompanhadas foram detidas ou tiveram a entrada proibida.

Vários analistas batizaram como "fenômeno Trump" a baixa no número de chegadas, pois acreditam que a retórica do presidente intimidou os imigrantes e os obrigou a permanecer em casa.

No entanto, embora as detenções na fronteira tenham diminuído, houve um significativo aumento do número de detenções de imigrantes dentro dos EUA, por residir ilegalmente no país ou por ter cometido algum crime, segundo dados do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).

Só entre janeiro, quando Trump tomou posse, e setembro, quando acaba o ano fiscal, os agentes do ICE detiveram 110.568 imigrantes, o que representa um aumento de 40% a respeito de todo o ano fiscal anterior, quando, sob o governo de Barack Obama, houve 77.806 detenções.

Os agentes do ICE se encarregam de deter imigrantes dentro dos EUA para, depois, mantê-los em centros de detenção enquanto um juiz avalia se podem ficar no país ou devem ser deportados.

O número de imigrantes deportados pelo ICE subiu para 226.119 no ano de 2017 e a maioria deles (128.765) é de mexicanos, um dos coletivos imigrantes que mais tempo passa vivendo nos EUA, embora, nos últimos anos, tenham sido os centro-americanos os que mais empreendem o caminho ao norte.

Dessa forma, após os mexicanos, os que mais sofreram deportações foram os guatemaltecos, com 33.570 expulsões, seguidos pelos hondurenhos (22.381) e os salvadorenhos (18.838).

Os dados informados nesta terça-feira oferecem uma das imagens mais nítidas sobre o efeito das políticas migratórias de Trump, que pouco depois de tomar posse eliminou uma política de Obama destinada a priorizar a deportação de imigrantes com antecedentes criminais, ao invés de expulsar famílias.

Com as políticas de Trump, existe a mesma probabilidade de deportação para qualquer um dos 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos EUA.

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