Embaixador da Venezuela na ONU renuncia após pedido de Maduro

Nova York, 5 dez (EFE).- O embaixador da Venezuela na ONU, Rafael Ramírez, anunciou nesta terça-feira que ontem apresentou sua renúncia ao cargo, após um pedido do presidente Nicolás Maduro.

A renúncia foi comunicada pelo próprio Ramírez em sua conta no Twitter e foi confirmada por fontes da missão venezuelana na ONU.

Em sua mensagem, o embaixador inclui uma carta dirigida ao chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, na qual também faz uma análise de sua gestão, que começou em 5 de janeiro de 2015.

Nessa carta, Ramírez menciona uma conversa com Arreaza em data não especificada e diz que renuncia como embaixador na ONU cumprindo com a "instrução" recebida de Maduro para que deixe de representar a Venezuela nas Nações Unidas.

"Fui removido pelas minhas opiniões", afirma na mensagem do Twitter o diplomata e ex-presidente da companhia petrolífera venezuelana PDVSA.

"Continuarei, aconteça o que acontecer, leal ao Comandante Chávez", acrescenta Ramírez, citando o antecessor de Maduro, o falecido presidente venezuelano Hugo Chávez.

Em sua carta a Arreaza, o diplomata afirma que a decisão de renunciar foi "muito difícil", pois envolve encerrar suas funções quando o país atravessa "uma situação de crise político-econômica onde a frente internacional adquiriu uma relevância extraordinária".

"Não obstante, diante da decisão do presidente, não tive outra escolha", acrescenta.

Ramírez tinha criticado recentemente a gestão econômica do governo de Maduro e tinha defendido seu próprio trabalho à frente da PDVSA, que atualmente é alvo de uma profunda investigação das autoridades venezuelanas por supostos atos de corrupção.

Na carta de renúncia, Ramírez afirma que todas as suas "observações" foram feitas "honestamente" e "em público, depois de expressá-las insistentemente nos espaços políticos correspondentes".

"Esperava que fossem bem recebidas, mais ainda quando estão colocadas de maneira construtiva, com a única intenção de gerar uma discussão criativa, revolucionária, com o único objetivo de superar juntos esta situação".

O diplomata também afirma que, a partir de sua renúncia, "aumentarão os ataques e os vilipêndios" contra ele, "como já fizeram algumas vozes ofensivas e astuciosas".

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