Famílias criticam ministro da Defesa por dizer que submarinistas morreram

Buenos Aires, 5 dez (EFE). - Alguns parentes dos 44 passageiros do submarino desaparecido no Oceano Atlântico há 20 dias criticaram nesta terça-feira o ministro da Defesa da Argentina, Oscar Aguad, que disse ontem na TV que os tripulantes morreram.

Jorge Villarreal, pai de Fernando Ariel Mendoza, tenente do navio, disse à Agência Efe que as afirmações do político foram "assustadoras". Ele também questionou os controles de segurança antes do início do percurso da embarcação, que deixou de dar sinais dois dias depois de partir de Ushuaia, em 13 de novembro, com destino a Mar del Plata, onde fica a base.

Ontem à noite, em entrevista ao canal "TN", o ministro foi perguntado sobre se os tripulantes estavam "mortos" e a resposta foi "exatamente". Segundo ele, "as condições do ambiente extremo" no fundo do mar, durante tanto tempo, são incompatíveis com a existência de vida humana.

Já para Marta Vallejos, irmã do operador de sonar Celso Oscar Vallejos, é preciso ter provas para fazer tal declaração.

"Se ele diz que estão mortos... ok, mas tragam para gente os corpos nas condições que estiverem. Para falar de algo é preciso ter provas. Ele se baseia em tecnicismo, mas minha visão é outra. Não tenho esperança, a palavra é fé. As pessoas têm que se orientar pela fé. Se os 33 mineiros do Chile conseguiram sair sãos e salvos depois de 70 dias por que eles não? Onde está escrito? Quem disse?", ressaltou ela à "FM Delta", que está há 10 dias em jejum como "sacrifico para Deus fazer um milagre".

Durante a entrevista de ontem, o ministro também falou sobre os avisos que o comandante do submarino deu aos superiores em terra na noite anterior ao sumiço para informar que tinha entrado água por um duto de ventilação, que passou pelo compartimento das baterias e provocou um princípio de incêndio. Segundo a Marinha, esse problema foi resolvido e o próprio comandante decidiu continuar a viagem.

O ministro admitiu que o ARA San Juan já tinha passado um "incidente similar" há algum tempo e que o comandante informou em um relatório que o problema com o duto de ventilação (snorkel) deveria ser analisado na revisão que o submarino faria em 2018.

"Como é possível um snorkel falhar mais de uma vez? Não fizeram os controles de segurança com antecedência?", questionou Jorge.

Para o pai de Fernando, os tripulantes foram expostos ao risco por causa de uma missão que era apenas para "proteger a soberania". EFE

igg-rgm/cdr

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos