Promotor diz que mesmo preso, ex-chefe da campanha de Trump auxiliou russo

Washington, 4 dez (EFE).- O promotor especial dos Estados Unidos encarregado da investigação sobre a Rússia, Robert Mueller, se mostrou contrário nesta segunda-feira que Paul Manafort, ex-chefe de campanha do presidente Donald Trump, deixe a prisão domiciliar, ao assegurar que no mês passado ele colaborou com um russo que tem vínculos com a inteligência do Kremlin.

Em um comunicado arquivado hoje no Tribunal Federal do Distrito da Columbia, e ao qual a Agência Efe teve teve acesso, Mueller expressou sua objeção a um acordo ao que tinha chegado com Manafort e que lhe permitiria ficar em liberdade condicional do regime de prisão domiciliar, onde está desde o dia 30 de outubro.

"Pelo menos até o dia 30 de novembro de 2017, Manafort e um colega dele estavam escrevendo um artigo de opinião em inglês sobre seu trabalho político na Ucrânia", com o objetivo de publicá-lo com assinatura de outra pessoa, diz o documento judicial.

O ex-chefe da campanha de Trump estava colaborando no artigo com "um antigo colega russo, que atualmente vive na Rússia e estima-se que tenha vínculos com um serviço russo de inteligência", acrescenta.

Mueller argumentou que essa atividade viola os termos impostos pelo tribunal sobre Manafort, que em outubro se entregou ao FBI depois de sofrer 12 acusações que poderiam resultar em mais de dez anos de prisão.

"Mesmo que o artigo de opinião fosse completamente exato, justo e equilibrado, sua publicação seria uma violação da ordem deste tribunal. O artigo claramente pretendia influenciar a opinião pública sobre o acusado Manafort", disse.

Portanto, Mueller pediu à juíza Amy Berman Jackson, que negue o pedido de Manafort para sair em liberdade condicional, em troca de deixar como fiança quatro imóveis no valor de US$ 11,65 milhões.

O processo contra Manafort - cujo julgamento está previsto para meio de 2018 - é produto da investigação de Mueller sobre a suposta ingerência russa nas eleições do ano passado, mas não está relacionado com as atividades desempenhadas dentro da campanha de Trump.

Mueller acusa Manafort e seu principal assessor durante a campanha, Rick Gates, de ter criado uma rede de instituições e contas bancárias em diferentes países para esconder US$ 75 milhões, obtidos em pagamentos feitos pelo governo pró-Rússia da Ucrânia e por outros oligarcas russos.

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