Israel se prepara para violência após anúncio de Trump sobre Jerusalém

Ana Cárdenes

Jerusalém, 6 dez (EFE).- As forças de segurança israelenses se preparam para um possível aumento da violência, depois do esperado reconhecimento nesta quarta-feira de Jerusalém como capital de Israel pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a promessa de transferir a embaixada americana de Tel Aviv para a Cidade Santa.

Ontem começaram as consultas de oficiais de Defesa para fazer frente aos possíveis distúrbios e o Exército israelense preparou "um plano com diferentes níveis de alerta que será ativado conforme for necessário", informou o jornal israelense "Haaretz".

Segundo este meio, vários batalhões que realizam nestes momentos treino e manobras foram advertidos de que podem ser destacados ao território ocupado da Cisjordânia no final de semana.

Contatado pela Agência Efe, o porta-voz policial Micky Rosenfeld afirmou que "em geral estamos prontos para qualquer situação", mas disse que por enquanto "não há mudanças no terreno em termos de medidas de segurança policial ".

Uma porta-voz d Exército não quis dar informações sobre possíveis ações.

As facções palestinas declararam ontem "Três Dias de Ira e Raiva Popular", desde hoje até sexta-feira, para rejeitar o que qualificaram de "conspiração (norte) americana contra Jerusalém".

O líder da Frente Democrática para a Libertação da Palestina, Talal Abu Zarifa, explicou hoje à Agência Efe que as facções fizeram um acordo de realizar "uma série de ações populares para enfatizar que Jerusalém é uma linha vermelha, é a capital da Palestina", sem dizer em que consiste.

Ontem à noite, vários manifestantes queimaram em Belém fotos de Trump e nesta manhã foram registrados enfrentamentos entre grupos de jovens palestinos e soldados israelenses em um posto de controle militar próximo à cidade e no campo de refugiados de Al Aroub, ao norte de Hebron, sem que haja registro de feridos, informou a agência de notícias palestinas "Maan".

Na sexta-feira, dia sagrado muçulmano, podem ocorrer enfrentamentos após a reza do meio-dia, especialmente em Jerusalém.

Em Gaza, o Hamas também convocou um "Dia da Ira" na sexta-feira, o que poderia provocar tensão na fronteira, e apesar da chuva, centenas de pessoas se manifestaram nesta manhã na Praça do Soldados Caído para mostrar rejeição à medida.

O chefe político do movimento islamita, Ismail Haniye, advertiu em carta dirigida a líderes árabes que a mudança da embaixada dos EUA "acenderá um fogo de ira" e que "o povo palestino nunca aceitará esta decisão e lutará contra a mesma com todo seu poder".

O porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, qualificou hoje em comunicado a decisão de Trump de "ataque ao direito palestino, árabe e islâmico a Jerusalém" e pediu a todo o mundo que ajude a "frustrá-lo com todos os meios possíveis".

Embora não tenha ordenadou para hoje o fechamento de escolas, o Ministério da Educação palestino pediu aos estudantes que se manifestem contra a decisão americana.

Várias escolas em Ramala indicaram à Efe que, devido à chuva, não acreditam que os jovens façam manifestações de protesto.

Para amanhã as facções convocaram uma manifestação ao meio-dia em Ramala.

Um oficial de segurança palestino afirmou ao jornal "Yedioth Ahronoth" que, se Trump realmente fizer essa declaração, "a situação nas ruas voará pelos ares" e "é possível que se inicie uma terceira Intifada".

E lembrou as grandes crises que surgiram em torno da cidade santa: em 1996, com os protestos contra os túneis perto do Muro das Lamentações, em 2000, com a ascensão de Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas (origem da Segunda Intifada), e em 2015 e 2016 com a onda de ataques após mensagens de que a Mesquita de Al-Aqsa estava ameaçada.

Fontes israelenses disseram ontem à noite ao "Yedioth Ahronoth" que estão se preparando para qualquer cenário já que, quando brincam com os sentimentos religiosos, pode acontecer qualquer coisa.

Rússia, China, Síria, Turquia e o papa Francisco expressaram hoje preocupação com a decisão americana e as consequências que possa ter na estabilidade na região, se somando a outras vozes manifestadas ontem, como França, Itália, ONU e Movimento de Países Não-Alinhados.

Israel considera Jerusalém sua capital "eterna e indivisível", mas a comunidade internacional considera a parte oriental território palestino ocupado e nenhum país reconheceu até agora a soberania israelense sobre toda a cidade e nem a sua capitalidade.

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