Macri não influenciou pedido de prisão de Cristina, diz governo argentino

Buenos Aires, 7 dez (EFE).- O chefe do Gabinete de Ministros da Argentina, Marcos Peña, afirmou nesta quinta-feira que o presidente Mauricio Macri não chegou ao poder para interferir na Justiça, depois que a ex-presidente Cristina Kirchner o responsabilizou pelo pedido de prisão contra ela determinado por um juiz pelo suposto encobrimento de terroristas.

"Está garantido o Estado de Direito, as liberdades e temos que nos acostumar a viver em um contexto onde somos todos iguais perante a lei", ressaltou Peña em entrevista à imprensa em Buenos Aires.

A ex-presidente, que atualmente ocupa o cargo de senadora, reiterou nesta quinta-feira que é vítima de uma "perseguição" e definiu como um "excesso" e uma violação do Estado de Direito o fato de o juiz Claudio Bonadio ter determinado sua prisão preventiva por supostamente acobertar os iranianos acusados do ataque contra uma associação israelita em 1994.

"Estas medidas enfraquecem ainda mais o Judiciário argentino e revelam que o governo e o presidente Mauricio Macri são os principais e verdadeiros responsáveis pelo estabelecimento de uma organização política e judicial para perseguir a oposição", afirmou Cristina em uma conferência de imprensa, na qual negou todas as acusações e considerou que elas não têm "base jurídica, nem institucional".

Pouco depois, e em resposta às suas declarações, Peña argumentou que "as pessoas conhecem o presidente" e sabem que ele não está no cargo para interferir na Justiça, mas para "trabalhar para solucionar problemas, para ajudar o país a crescer e a fortalecer o marco institucional".

"Que não haja impunidade para ninguém, nem sensação de injustiça para ninguém, que possamos superar essa desconfiança, quando se sente que a justiça chega para um, e não para todos", acrescentou Peña.

O chefe do Gabinete de Ministros também se mostrou convencido de que "é um tema que requer uma investigação muito bem-feita" e que os trâmites judiciais "requerem o devido processo de defesa e que o mesmo possa se desenvolver em normalidade dentro do sistema institucional".

Bonadio indiciou e ordenou a prisão de Cristina, entre outros ex-integrantes de seu governo, pelos supostos crimes de traição à pátria e encobrimento agravado e pediu ao Senado que a destitua do cargo atual, o que faria com que ela perca o foro privilegiado, por considerar que a ex-presidente pode atrapalhar as investigações.

Sobre isso, o chefe do Gabinete de Ministros lembrou que os senadores governistas disseram que todo o trâmite será desenvolvido "com a prudência e a institucionalidade necessárias, pensado não em termos partidários, mas em termos institucionais".

Além disso, Peña insistiu que "não é atribuição do presidente incluir o tratamento" do pedido de suspensão do foro privilegiado nas sessões extraordinárias do Congresso - que não está realizando plenários ordinários porque está em recesso - convocadas pelo governo para analisar os projetos de reforma tributária e trabalhista.

O caso, aberto após a denúncia realizada pelo promotor Alberto Nisman em janeiro de 2015 contra Cristina, dias antes de ele ser encontrado morto em seu apartamento em estranhas circunstâncias, investiga se o memorando assinado entre Argentina e Irã em 2013 tinha como objetivo acobertar, em troca de promover a relação comercial bilateral, os suspeitos iranianos de terem cometido o atentado contra a associação israelita AMIA em Buenos Aires, que deixou 85 mortos e continua impune.

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