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Internacional

Jornalista afirma que Keiko Fujimori votou a favor da Odebrecht em 2008

20/12/2017 07h31

Lima, 20 dez (EFE).- A líder do partido opositor Força Popular, Keiko Fujimori, votou em 2008 no Congresso peruano a favor de um relatório legislativo que supostamente beneficiou à construtora Odebrecht, segundo revelou na noite desta terça-feira um programa jornalístico.

A jornalista Milagros Leiva, apresentadora do programa "Todo se sabe" na emissora "RPP Noticias", exibiu uma cópia do documento que, segundo ressaltou, permitiu que o Estado peruano aceitasse aumentar em US$ 600 milhões o orçamento para a construção da Estrada Interoceânica Sul, a cargo da Odebrecht.

Leiva acrescentou que esse documento foi aprovado por uma comissão legislativa que averiguou os contratos para a construção da Estrada Interoceânica Sul após receber uma solicitação nesse sentido do então presidente Alan García (2006-2011).

A jornalista sustentou que, ao concluir a investigação, a comissão apresentou um "certificado de boa conduta" para Odebrecht com os votos a favor, entre outros, de Keiko Fujimori, que então era legisladora, e outros conhecidos fujimoristas como Cecilia Chacón e Luis Galarreta, que é o atual presidente do Congresso.

Segundo Leiva, o relatório não foi assinado pelo presidente do grupo de trabalho, o então fujimorista Renzo Reggiardo, que supostamente se opôs à sua aprovação porque a comissão não tinha feito uma investigação profunda.

O partido Força Popular, liderado por Keiko Fujimori, é um dos principais promotores de um pedido de destituição do presidente Pedro Pablo Kucyznski por "incapacidade moral permanente", por supostamente ter tido vínculos com a Odebrecht.

O porta-voz do Força Popular no Congresso, Daniel Salaverry, fez ontem uma declaração pública na qual assegurou que existe uma "campanha midiática e de mentiras" contra o fujimorismo para afirmar que a eventual destituição de Kuczynski é um atentado contra a democracia no país.

Salaverry também disse que receberam informação, de fontes que não detalhou, de que se estaria tentando "semear provas" em suas filiais partidárias para justificar um pedido de prisão preventiva contra Keiko.

A líder opositora deverá apresentar-se nesta quarta-feira perante a Procuradoria de Lavagem de Dinheiro, que investiga o suposto financiamento irregular das suas campanhas eleitorais de 2011 e 2016.

Por outro lado, o Congresso do Peru escutará amanhã a defesa do presidente Kuczynski perante o pedido de destituição promovido pela oposição política, após o que debaterá e votará se aceita essa medida extrema.

No Peru, o caso Odebrecht se centra em seguir o rasto de US$ 29 milhões que a construtora admitiu ter pagado em subornos a funcionários peruanos em troca da adjudicação de milionárias obras entre 2005 e 2014.

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