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Internacional

Oposição peruana anuncia apoio ao vice-presidente caso Kuczynski seja cassado

20/12/2017 02h56

Lima, 20 dez (EFE).- O partido fujimorista Força Popular, que domina o Congresso peruano, afirmou na terça-feira que apoiará o primeiro vice-presidente Martín Vizcarra para que assuma a Presidência do país, se na quinta-feira for aprovada a destituição de Pedro Pablo Kuczynski da chefia do Estado.

"Tenho certeza que este e os outros grupos respeitarão a ordem de sucessão exigida pela Constituição e respaldaremos o primeiro vice-presidente da República para que assuma o comando da Nação", declarou o congressista Daniel Salaverry, porta-voz legislativo da Força Popular.

A imprensa local anunciou que Vizcarra, atual embaixador do Peru no Canadá, chegará ao país nesta quarta.

Na última sexta-feira, quando começou a crise política que pode levar à destituição de Kuczynski, o vice-presidente afirmou seu compromisso "com a governabilidade" de seu país.

"O Peru é maior que seus problemas. O nosso compromisso é com a governabilidade, respeitando a Constituição e as instituições democráticas, sem importar as cores políticas", escreveu o político em seu Twitter.

Enquanto isso, Salaverry realizou na terça um pronunciamento acompanhado por um grupo de legisladores da Força Popular, onde ele assegurou que existe uma "campanha midiática e de mentiras" contra o fujimorismo para afirmar que a eventual destituição de Kuczynski é um atentado contra a democracia no país.

"O que realmente estamos fazendo é ativar um mecanismo constitucional que nos permite lutar contra a corrupção justamente em defesa da democracia", argumentou.

Além disso, acrescentou que receberam informações de que estariam tentando "semear evidências" em seus locais partidários para justificar um pedido de prisão preventiva contra a líder da Força Popular, Keiko Fujimori.

A líder opositora deverá se apresentar hoje diante da Promotoria de Lavagem de Dinheiro, que investiga o suposto financiamento irregular das suas campanhas eleitorais de 2011 e 2016.

O Congresso do Peru escutará nesta quinta a defesa do presidente Kuczynski diante do pedido de destituição presidencial promovido pela oposição, após o qual debaterá e haverá a votação para saber se essa medida extrema será aceita por "incapacidade moral permanente".

A permanência de Kucyznski na presidência foi seriamente questionada depois que a semana passada, surgiu a informação de que uma empresa de sua propriedade ofereceu serviços de consultoria para a construtora Odebrecht entre os anos de 2004 a 2007.

Kuczynski reconheceu que recebeu pagamentos para um contrato de consultoria assinado pelo chileno Gerardo Sepúlveda com a Odebrecht, quando era ministro do governo Alejandro Toledo (2001-2006).

Para ser aprovado, o pedido de destituição necessita do voto de 87 legisladores e, nesse caso, a presidência deveria ser assumida pelo primeiro vice, Martín Vizcarra.

Se Vizcarra não aceitar, a sucessão corresponderá a segunda vice-presidente, Mercedes Aráoz, quem atualmente preside o Conselho de Ministros.

Se nenhum dos vice-presidentes assume a Presidência, o chefe do Congresso, que neste momento é o fujimorista Luis Galarreta, teria que assumir o cargo e convocar de imediato novas eleições gerais, que devem acontecer no prazo máximo de um ano.

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