Estado Islâmico termina 2017 derrotado em seus redutos no Iraque e na Síria

Susana Samhan e Yaser Yunis.

Beirute/Erbil (Iraque), 22 dez (EFE).- A recuperação da área conquistada pelo Estado Islâmico (EI) no Iraque e da cidade de Raqqa, a "capital do califado" na Síria, provocou o colapso total do grupo jihadista nos territórios que controlava.

No último dia 9 de dezembro, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al Abadi, anunciou o final da guerra contra o EI no Iraque após retomar o controle dos últimos redutos que permaneciam em poder dos terroristas em um país dessangrado durante três anos e meio.

O discurso do também líder das forças armadas aconteceu depois que as forças iraquianas, com o apoio da coalizão internacional comandada pelos Estados Unidos, conseguiram o controle das áreas fronteiriças entre Iraque e Síria.

Uma dura campanha militar que causou a perda de milhares de vidas, mas também um golpe fatídico para os terroristas, que já tinham sofrido um forte revés ao serem expulsos em julho de Mossul, após quase nove meses de ofensiva, que causou a completa destruição do oeste da segunda cidade mais importante do país.

Mossul, considerada a "capital" dos jihadistas no Iraque, foi um lugar simbólico para a organização terrorista, pois ali seu líder, Abu Bakr al Baghdadi - dado como morto em várias ocasiões, embora nenhuma confirmada - proclamou o "califado" em 4 de julho de 2014 na emblemática mesquita de Al Nuri, dinamitada pelos próprios terroristas em 21 de junho durante o cerco militar.

Uma incessante batalha que terminou no último dia 10 de julho com o anúncio de Abadi, vestido de uniforme militar, da libertação total da cidade.

A partir desse momento, as forças conjuntas iraquianas apoiadas pela coalizão internacional, o exército curdo e as milícias pró-governamentais Multidão Popular, respaldadas pelo Irã, se centraram em acabar com os diferentes focos extremistas que resistiam no Iraque.

Um mês depois do anúncio de libertação de Mossul foi lançada uma campanha militar, que terminou em menos de três semanas, na comarca de Tel Afar, situada ao oeste de Mossul, onde muitos líderes terroristas se aglutinavam e para onde tinham fugido após a derrocada de Mossul.

A partir desse momento, as tropas governamentais planejaram e lançaram ofensivas para acabar em uma velocidade surpreendente com os terroristas que sobreviviam em áreas povoadas como Al Hauiya, na província petroleira de Kirkuk, ou Al Qaim e Raua, perto da fronteira síria.

De fato, a comarca de Raua foi a última área habitada controlada pelo EI, que a perdeu no último dia 17 de novembro, o que fez com que os terroristas se refugiassem em regiões despovoadas e desérticas fronteiriças com a Síria, e onde, segundo Abadi, já foram "eliminados".

Do outro lado da fronteira, na Síria, a perda de Raqqa representou um golpe moral e estratégico para os jihadistas, que, desde sua derrota na cidade, no último dia 17 de outubro, viram seus domínios se reduzindo drasticamente na Síria.

Em pouco mais de quatro meses, as Forças da Síria Democrática (FSD), uma aliança armada liderada por milícias curdas e respaldadas pelos EUA, conseguiram vencer os radicais na antiga "capital do califado".

As FSD iniciaram sua campanha militar na cidade de Raqqa em 6 de junho deste ano, embora estivessem lutando contra o EI na província desde novembro de 2016.

Por outra parte, no outro grande feudo do EI em território sírio, a região de Deir ez-Zor, os extremistas não fizeram mais que perder território para as FSD e o exército sírio, apoiado pela aviação da Rússia.

Tanto as FSD como as forças armadas sírias começaram em setembro duas operações militares distintas em Deir ez-Zor contra os jihadistas.

Desde essa data, as tropas governamentais recuperaram as principais cidades da região, como sua capital homônima, Al Mayadin e Al Bukamal, e expulsaram o EI de áreas ao oeste do rio Eufrates em sua passagem por Deir ez-Zor.

Da sua parte, as FSD progrediram frente aos extremistas em pontos ao leste do Eufrates.

Tamanho foi o retrocesso dos radicais na Síria nos últimos meses que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou no início de dezembro a completa derrota do EI no país árabe.

No entanto, os radicais ainda conservam áreas do leste de Deir ez-Zor e Homs, bem como dois pequenos redutos na região central de Hama e em Quneitra e Deraa (sul), onde opera a facção Exército de Khaled bin Walid, vinculada ao EI.

O grupo também está presente no campo de refugiados palestinos de Al Yarmuk, no sul de Damasco e em distritos vizinhos.

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