Topo

Deslocados líbios pressionam governo de unidade para voltarem ao lar

24/12/2017 14h28

Trípoli, 24 dez (EFE).- Os habitantes da cidade líbia de Tawarga, 250 quilômetros ao leste de Trípoli, reivindicaram ao governo de união nacional o direito de regressar ao lugar de onde se deslocaram em 2011, quando começou a guerra civil no país.

A situação de Tawarga é um dos casos mais denunciados pelas ONGs internacionais. Os habitantes foram obrigados a abandonar a cidade diante do assédio das milícias da vizinha Misrata após serem acusados de apoiar as forças de Muamar Kadafi.

O presidente do conselho presidencial líbio designado pela ONU, Mohamad Fayez Al Serraj, recebeu representantes da sociedade civil que exigiram uma solução "rápida" para o caso dos civis, tal como foi estabelecido no acordo assinado entre as cidades de Tawarga e Misrata.

"Sentimos a situação deles após esses sete anos de sofrimento e incentivamos ambas as partes a acelerar o regresso e também uma indenização para os afetados" explicou Serraj, que espera uma aplicação imediata da medida.

Em dezembro do ano passado, o porta-voz do Congresso Nacional Geral líbio (Parlamento), Omar Hamidan, anunciou a criação de uma comissão para monitorar os assuntos dos deslocados internos e a sua proteção.

No entanto, organizações internacionais como Médicos Sem Fronteiras, Cruz Vermelha e Human Rights Watch continuam a denunciar a existência de milhares de deslocados e as péssimas condições em que vivem, assim como a falta de atenção por parte das autoridades.

A Líbia é um Estado falido, vítima do caos e a guerra civil, desde que 2011 a comunidade internacional contribuiu para a vitória rebelde sobre a ditadura de Muamar Kadafi.

Atualmente, dois governos, um no oeste sustentado pela ONU e outro no leste sob o controle de Khalifa Hafter, um ex-membro da cúpula kadafista recrutado anos depois pela CIA, lutam pelo poder com a ajuda de milícias e grupos que se beneficiam com a guerra e frequentemente mudam lado.