Fujimori pede perdão e agradece indulto dado por Kuczynski

Lima, 26 dez (EFE).- O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori pediu "perdão" nesta terça-feira por ter "frustrado" uma parte da sociedade durante seu governo, que foi de 1990 a 2000, e agradeceu o indulto humanitário que recebeu no domingo do presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski.

"Sou consciente de que os resultados durante o meu governo foram bem recebidos por uma parte, mas reconheço que também desapontei outros compatriotas. A eles, peço perdão do fundo do meu coração", disse o ex-presidente em mensagem gravada em vídeo na clínica onde ele está internado desde a sexta-feira passada.

Na mensagem, publicada em sua conta oficial no Facebook, Fujimori afirmou que a notícia do indulto humanitário o "surpreendeu" na unidade de terapia intensiva da clínica.

"Isso me produziu um forte impacto no qual se misturam sentimentos de extrema alegria e pesar", acrescentou.

O ex-presidente expressou, além disso, sua "gratidão pelo passo complexo" dado por Kuczynski ao aprovar seu indulto e o perdão de todas as suas penas e dos processos que ainda tinha em curso.

"(Isso) me compromete, neste novo período, a apoiar decididamente seu chamado à reconciliação", disse.

Kuczynski outorgou o indulto humanitário e a graça presidencial a Fujimori no último domingo, poucas horas antes do Natal, o que surpreendeu seus compatriotas, e nas horas seguintes gerou manifestações de protesto e rejeição de grande parte da sociedade organizada e partidos políticos.

O presidente assinou o indulto três dias depois de evitar sua destituição pelo Congresso, devido a seus vínculos com a construtora Odebrecht, graças à abstenção de um grupo de dez fujimoristas liderados por Kenji Fujimori, filho mais novo do ex-presidente, que anteriormente tinha pedido abertamente a Kuczynski indulto para seu pai.

Em uma mensagem televisionada, Kuczynski chamou na segunda-feira de "erros" os crimes contra a humanidade pelos quais Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão e afirmou que a decisão de indultá-lo foi, "talvez", a mais difícil da sua vida.

"Trata-se da saúde e das possibilidades de vida de um ex-presidente do Peru que, tendo cometidos excessos e erros graves, foi sentenciado e já cumpriu 12 anos de pena", argumentou.

O indulto era a única alternativa de Fujimori para sair da prisão, pois a natureza de lesa-humanidade dos crimes, por massacres e sequestros durante seu mandato, não permitia recorrer a nenhuma redução da pena.

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