Rússia vive ano de vitória na Síria e desilusão com Trump

Bernardo Suárez Indart.

Moscou, 27 dez (EFE).- A Rússia termina 2017 com a proclamação da vitória sobre o Estado Islâmico na Síria, mas também com um grande desengano: a chegada de Donald Trump à Casa Branca não serviu para melhorar as relações bilaterais, pelo contrário.

O presidente russo, Vladimir Putin, certificou pessoalmente a vitória sobre os jihadistas com uma viagem surpresa à base aérea síria de Khmeimim, onde foi recebido pelo governante sírio, Bashar al Assad, e anunciou o início da retirada das forças russas mobilizadas no país árabe.

"Se os terroristas voltarem a erguer a cabeça, os atingiremos de uma maneira que ainda não viram", declarou o chefe do Kremlin ao discursar para os militares.

No dia 6 de dezembro, Putin anunciou que se candidataria às eleições de 18 de março de 2018, para um novo mandato de seis anos. Sem rival à vista, a reeleição é considerada na Rússia algo tão natural como o outono após o inverno.

O sucesso das políticas de Putin na Síria contrastam com a perda de confiança da Rússia no Ocidente, principalmente com a piora das relações com Washington, que se encontram no ponto mais baixo das últimas décadas.

Há um ano, deputados russos comemoravam a vitória eleitoral de Trump sobre a candidata democrata, Hillary Clinton, com a esperança de que isso ajudaria a aliviar as sanções contra a Rússia por causa da anexação da Crimeia e da ingerência do país na crise ucraniana.

Mera ilusão. Ao regime de sanções foram acrescentadas as denúncias sobre a suposta intromissão de Moscou na campanha presidencial americana, que já ocasionaram várias baixas no gabinete de Trump.

O tom das acusações, que destacam a existência de contatos entre integrantes da campanha de Trump com o agora ex-embaixador russo em Washington, Sergey Kislyak, diminuiu o campo de manobra do presidente americano.

Embora Putin e Trump tenham conversado por telefone várias vezes e se encontrado em duas ocasiões durante cúpulas internacionais, o diálogo russo-americano chegou ao fundo do poço e não há perspectivas de melhora.

A Rússia foi acusada de tentar interferir não apenas na campanha presidencial dos Estados Unidos, mas também em processos eleitorais europeus.

Moscou atribui essas acusações à "russofobia no Ocidente" e ao desejo de conter uma Rússia cada vez mais forte e influente no cenário internacional.

Entre os grandes revezes da Rússia do ano está, sem dúvida, a decisão de Comitê Olímpico Internacional (COI) de excluir por doping de Estado a delegação russa dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, que serão disputados na cidade sul-coreana de PyeongChang.

O COI determinou que os atletas russos limpos poderão competir somente a "título individual e sob rígidas condições", representando a bandeira neutra.

Semanas antes de ter a delegação excluída dos Jogos de PyeongChang, a Rússia viu a Agência Mundial Antidoping (Wada) desqualificar vários atletas russos e os privar das medalhas conquistadas em Sochi 2014. Com isso, o país caiu do primeiro para o quarto lugar no quadro de medalhas.

No âmbito macroeconômico, 2017 foi um bom ano para a Rússia. Apesar das sanções internacionais, o crescimento do produto interno bruto (PIB) do país é esperado em aproximadamente 2%, enquanto a inflação deve ser de menos 4%, o número mais baixo na história pós-soviética.

O rublo, a moeda nacional, tem se mantido estável graças à alta dos preços do petróleo, um dos principais produtos de exportação do país.

No entanto, os investimentos reais da população caem pelo quarto ano consecutivo, embora tenha o ritmo desta queda tenha diminuído: se em 2016 a diminuição foi de 5,9%, nos dez primeiros meses foi de 1,3%, segundo dados do Ministério da Economia.

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