Reino Unido sobrevive a ano marcado pela instabilidade

Viviana García.

Londres, 28 dez (EFE).- O Reino Unido enfrentou um ano marcado pela instabilidade por conta das negociações sobre o "Brexit", a perda da maioria absoluta no Parlamento dos conservadores da primeira-ministra, Theresa May, e vários atentados terroristas.

No fim do ano, o Reino Unido terminou também a primeira fase das negociações sobre sua saída da União Europeia (UE), depois que May ativou em março o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que iniciava a contagem regressiva para o "divórcio" britânico em 2019.

Em 29 de março, a premiê enviou a Bruxelas a carta com a qual notificou a intenção do Reino Unido de se retirar do bloco europeu, quase um ano depois de os britânicos votarem em um referendo a favor da ruptura de mais de 40 anos de participação na UE.

Assim, o país iniciou um complicado processo para interromper sua conexão com os outros 27 membros do bloco, do qual se separará em 29 de março de 2019, sem que ainda esteja clara qual será a futura relação que de Londres com seus ainda parceiros europeus.

Para Tim Bale, especialista em Política da Universidade Queen Mary de Londres, ativar o Artigo 50 sem ter uma ideia clara sobre o tipo de "Brexit" que se queria foi "asombrosamente estúpido".

"Nós, o Reino Unido, somos a parte mais fraca das negociações, portanto fazer correr o relógio antes do que ela (May) precisava foi completamente contraproducente", disse Bale à Agência Efe.

"A única razão pela qual o fez foi para dar um sinal aos fanáticos do 'Brexit' do seu partido de que podiam confiar nela para fazer cumprir o resultado do referendo", acrescentou.

Em abril, em meio ao início do processo do "Brexit" e em uma tentativa de consolidar sua liderança, a primeira-ministra conservadora quis aproveitar as pesquisas que lhe eram favoráveis para convocar eleições antecipadas em junho, ao invés de esperar até 2020.

Sob o lema de "votar por um Governo forte e estável", que repetiu até o cansaço na campanha eleitoral, May fez uma jogada arriscada.

A aposta acabou sendo catastrófica para a premiê, que perdeu a maioria na Câmara dos Comuns e se viu obrigada a negociar com os dez deputados do pró-britânico Partido Democrático Unionista da Irlanda do Norte (DUP) para se manter no poder.

Segundo Tim Bale, a eleição foi um revés para os "tories" porque se fez uma campanha de "estilo presidencialista" com uma líder que foi mal na hora de convencer o eleitorado.

Em meio à sua fragilidade política e aos contínuos desacordos no Partido Conservador sobre o tipo de "Brexit" pretendido, May teve que enfrentar, ao mesmo tempo, uma campanha terrorista que castigou duramente o Reino Unido este ano.

O primeiro atentado foi perpetrado em 22 de março por um homem com um veículo em frente ao Parlamento de Westminster, horas depois de May terminar sua sessão semanal de perguntas na Câmara dos Comuns e no qual cinco pessoas morreram, entre elas um policial.

Dois meses depois, o país sofria com o atentado suicida no estádio Manchester Arena, no norte da Inglaterra, ao término de um show da cantora Ariana Grande, no qual 22 pessoas morreram, a maioria adolescentes.

Mas a onda terrorista de radicais islâmicos continuou. No dia 3 de junho, oito pessoas morreram em um atentado na Ponte de Londres.

Depois houve outros dois atentados, mas desta vez sem mortes. Um deles foi em 19 de junho em frente à mesquita londrina de Finsbury Park, e o outro em 15 de setembro na estação de metrô Parsons Green, no oeste da capital britânica.

Além disso, em junho, May foi criticada pela população e pela imprensa por sua resposta morna aos afetados pelo incêndio - no dia 14 - na torre Grenfell (Londres), um edifício integrado em sua maior parte por apartamentos de proteção social, no qual 71 pessoas morreram.

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