Corrupção e problemas na economia fazem liderança de Zuma ser contestada

Nerea González.

Johannesburgo, 29 dez (EFE).- A África do Sul fechou 2017 em meio a uma estagnação econômica e escândalos de corrupção com uma troca de liderança no partido governante, que, após 23 anos no poder, tenta não perder apoio popular às vésperas da comemoração do centenário de Nelson Mandela.

O baixo crescimento do PIB, o elevado desemprego (27,7%), as grande taxa de criminalidade - há uma média diária de 52 mortes por violência - e um governo visto como corrupto encerram o ano com um sabor amargo no país.

Nem as tensões internas nem a instabilidade social, com grandes protestos em abril que pediam a renúncia de Jacob Zuma, conseguiram derrubar o presidente, graças ao apoio da maioria do partido Congresso Nacional Africano (CNA) no Poder Legislativo.

No entanto, a Justiça retomou o caso contra o governante com a restauração de aproximadamente 800 acusações de corrupção que tinham sido retiradas antes de Zuma ser presidente. Mais recentemente, o líder sul-africano também passou a ser investigado por favorecer uma família de empresários, os Gupta.

Nesse contexto, o CNA se reuniu em dezembro em Johanesburgo para realizar sua 54ª conferência anual, dessa vez com a missão de escolher o sucessor de Zuma à frente do partido, embora o atual governante deva continuar como chefe de Estado até 2019.

"Apesar dos desafios, hoje o CNA ainda representa os sonhos, aspirações e esperanças de milhões de pessoas que estão marginalizadas e que estão na periferia da nossa economia", afirmou Zuma em seu discurso de despedida.

Pouco autocrítico, o presidente reconheceu que o seu sucessor herdará grandes dificuldades e que a economia se mantém "frágil", mas fechará o ano com um leve crescimento de 1,3%.

Em resposta, em disputa muito apertada, o CNA se inclinou à opção menos continuista na eleição de seu novo líder. O vice-presidente Cyril Ramaphosa - antigo sindicalista que se tornou um homem de negócios com reputação de grande negociador - derrotou por menos de 200 votos a única rival, a ex-presidente da União Africana Nkosazana Dlamini-Zuma, ex-esposa de Zuma.

O novo líder do governo será o encarregado de modificar o tom político do CNA em um 2018 que deveria ser magnífico para o movimento, uma vez que comemora o centenário de seu rosto mundialmente mais conhecido: o do ex-presidente e Nobel da Paz Nelson Mandela.

"Ainda estamos aqui, de pé, quase 106 anos depois, unidos. Querem um CNA que use a Administração Pública não para servir a interesses particulares, mas para construir um verdadeiro estado desenvolvido e uma economia vibrante e inclusiva que dê trabalho e melhore as vidas. A corrupção deve parar já", lembrou Ramaphosa em seu primeiro discurso como líder do partido, na madrugada de 21 de dezembro.

O objetivo será recuperar a confiança popular para garantir outra vitória eleitoral com mais de 60% doeapoio em 2019, como o partido tem feito em todas as eleições gerais democráticas realizadas até então.

Mas, antes disso, os olhos do mundo voltarão a olhar para a África do Sul e analisarão as conquistas do antigo movimento de liberdade, devido ao centenário de Mandela.

"Queremos envolver o mundo inteiro. O legado de 'Madiba' é um legado global", explicou Lunga Nene, encarregada da comunicação da fundação que leva o nome do Nobel da Paz de 1993.

Governo, partido, sociedade civil e as próprias famílias das pessoas que lutaram pela liberdade se preparam para um ano de atividades e comemorações, com núcleo no dia 18 de julho, que no calendário sul-africano é o "Dia de Nelson Mandela".

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