Apesar de proibidos, protestos contra Governo iraniano continuam

Artemis Razmipour

Teerã, 30 dez (EFE).- O Governo do Irã pediu neste sábado aos seus cidadãos que evitem participar de manifestações não autorizadas, depois de três dias de protestos contra o aumento dos preços e a corrupção.

Hoje, pelo terceiro dia consecutivo, continuam os protestos contra as políticas do governo em diferentes cidades do país, onde centenas de pessoas saíram às ruas e cantaram lemas de ordem contra o governo e o sistema da República Islâmica do Irã.

No centro de Teerã, na avenida Enghelab, os manifestantes, que cantavam lemas de ordem contra os responsáveis do país, foram dispersados pela polícia.

O Ministério iraniano do Interior lembrou hoje a proibição de fazer manifestações e protestos não autorizados, como corresponde os destes dias, já que nenhum foi autorizado, segundo disse o titular de tal departamento, Abdolreza Rahmani Fazli.

A nova lei de delitos políticos iraniano, aprovada em janeiro, penaliza qualquer manifestação considerada "contrária à gestão do país e suas instituições políticas e às políticas nacionais e exteriores".

"Pedimos ao povo que não compareça às concentrações ilegais. Se têm a intenção de se manifestar, façam uma solicitação e esta será revisada", manifestou o ministro, segundo a agência de notícias iraniana "ISNA".

O ministro do Interior explicou que recebeu relatórios sobre convocações de manifestações feitas nas redes sociais e sublinhou que "estas reuniões são ilegais".

Mesmo assim, na cidade de Shahre Kord, no centro do Irã, nesta manhã ocorriam protestos, segundo disse o membro de um partido político e habitante da cidade à Agência Efe que pediu o anonimato.

"As pessoas gritava slogans contra o regime", indicou a fonte, que precisou que o motivo das manifestações é "o descontentamento da população com a situação econômica e não tem a ver com nenhum partido específico".

O ministério iraniano de Relações Exteriores criticou hoje a intervenção dos EUA em seus assuntos internos, em reação ao apoio do presidente americano, Donald Trump, às manifestações.

Trump publicou hoje uma mensagem em sua conta do Twitter, na qual pedia ao governo do Irã respeito ao direito do povo "a se expressar" e advertiu de que "o mundo está vendo", ao mesmo tempo que voltou a acusar as autoridades iranianas de corrupção e de financiar o terrorismo no exterior.

Por outro lado, milhares de pessoas, segundo a agência oficial iraniana "IRNA", se reuniram hoje em Teerã e em diversas cidades do país em apoio ao regime, uma atividade iniciada em 2009 em resposta às mobilizações feitas então pelo conhecido como movimento verde.

Os participantes gritaram os habituais lemas de "morte aos Estados Unidos, morte a Israel", "Se o líder (em alusão ao líder supremo iraniano, Ali Khamenei) nos der a ordem, sacrificamos a nossa vida por ele", informaram hoje meios locais.

Os protestos contra a situação econômica do país começaram na quinta-feira na cidade de Mashad, e se estenderam pelas cidades de Neyshabur, Kamshmar, Shahrud, Kermanshah, Rasht, Orumie e Isfahan entre outras, segundo as imagens divulgadas pelas redes sociais.

Os manifestantes cantam "Independência, liberdade, República Iraniana", segundo mostram as imagens divulgadas em canais da rede social do "Telegram".

Além disso, os manifestantes cantaram lemas pela alma do xá Reza Pahlavi, derrocado em 1979 pela Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini.

Os manifestantes expressaram desprezo pela vida acomodada do clero iraniano, ao qual acusam de não cuidar dos problemas reais da sociedade.

"A nação é um mendigo, enquanto os clérigos vivem como Deuses", gritavam.

Igualmente, expressaram rejeição à despesa destinada do regime iraniano a alguns países da região, enquanto a população passa por dificuldades econômicas. "Nem Gaza e nem o Líbano, a minha vida sacrifico pelo Irã".

Esta lema foi cantado também no primeiro dia dos protestos em Mashad e foi criticado pelo representante direto do líder supremo em Mashad, o aiatolá Ahmad Alamolhoda, que o qualificou "uma lema desviado".

Os protestos contra o presidente do Irã, Hassan Rohani, pioraram nas últimas semanas, sobretudo depois que no começo de dezembro apresentou os orçamentos para 2018.

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