Belgas pedem renúncia de secretário por tratamento a refugiados

Bruxelas, 30 dez (EFE).- Mais de 200 pessoas se manifestaram neste sábado para reivindicar a renúncia do secretário de Estado belga para as Migrações e Asilo, Theo Francken, a quem emitiram simbolicamente "uma ordem de saída do Governo" após a devolução de cidadãos sudaneses que disseram ter sido torturados no país.

Os manifestantes, reunidos perante a Estação Central da capital belga, insistiram que Francken, pertencente ao partido soberanista flamengo N-VA, deve sair porque "não é digno de seu posto".

"Contou mentiras ao Governo e ao Parlamento. Não pode continuar assim", diziam os presentes, segundo noticiou a agência "Belga".

Francken está na "corda bamba" há mais de uma semana após serem revelados testemunhos de vários cidadãos sudaneses que asseguraram ter sido torturados na volta ao seu país.

Os manifestantes não somente denunciaram estes acontecimentos, mas também a política de asilo do secretário de Estado.

"É uma política indigna de um Estado de direito, de uma democracia no coração da Europa", lamentou o presidente da Liga dos Direitos do Homem, Alexis Deswaef.

Francken protagonizou outras polêmicas relacionadas com sua pasta.

Uma das reações mais criticadas e famosas a nível internacional foi a recusa em novembro de 2016 a outorgar vistos a uma família síria de Aleppo com dois filhos de 5 e 8 anos, depois que uma família belga de Namur (sul) aceitou acolhê-la.

Francken foi multado em 4 mil euros diários por se negar a facilitar um visto humanitário à família, mas finalmente o Conselho Nacional de Migração belga deu a razão ao político e retirou a punição.

Além disso, em outubro de 2015, meios do grupo editorial Sudpresse revelaram que Francken tinha enviado uma carta aos iraquianos na Bélgica na qual os convidava a retornar "voluntariamente" ao seu país uma vez que a Administração belga tinha congelado as demandas de asilo da região de Bagdá.

Outro episódio que provocou pedidos de renúncia por parte de grupos da oposição aconteceu quando no início da legislatura, em outubro de 2014, a televisão pública belga falou do comparecimento de Francken ao aniversário de um antigo miliciano de extrema direita que colaborou com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

O atual secretário de Estado somente criticou como "inaceitável" a "caça de bruxas contra um nonagenário", apesar do homem nunca ter renegado seu passado.

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