Andorra atendeu a 80% dos pedidos sobre caso Odebrecht, diz MP peruano

Lima, 1 jan (EFE).- O principado de Andorra atendeu positivamente a 80% dos pedidos de informação solicitados pelo Peru sobre o caso Odebrecht, a investigação sobre corrupção que envolveu o mais alto escalão da política no país, informou nesta segunda-feira o procurador Alonso Peña.

O chefe da Unidade de Cooperação Judicial Internacional e Extradições do Ministério Público do Peru acrescentou que "o trabalho foi formidável apesar de que não haver tratados bilaterais, nem acordos de entendimento, mas foram invocados acordos internacionais", em declarações à imprensa local.

A construtora brasileira Odebrecht fez depósitos de US$ 15 milhões nos bancos de Andorra como supostos pagamentos de propina a empresários e ex-agentes públicos peruanos, entre os quais estão o ex-vice-presidente da Petroperu Miguel Atala, o advogado Jorge Cánepa, o ex-diretor da Municipalidade de Lima Gabriel Prado e o ex-diretor do órgão de transporte Ositrán Juan Carlos Zevallos.

O procurador Peña destacou que há uma boa fluência e coordenação com as autoridades de Andorra, o que permitiu que as solicitações peruanas fossem atendidas.

Além disso, Peña informou que o Brasil respondeu a 40 pedidos de assistência apresentados pelo Peru, pois foi a operação Lava Jato que revelou o escândalo de corrupção envolvendo a Odebrecht.

O procurador explicou que o Brasil tem um mecanismo de colaboração espontâneo que permite enviar informação relacionada com outro país sem que seja necessária a apresentação de um pedido expresso.

Assim, a unidade de colaboração do Ministério Público peruano recebeu as anotações feitas pelo empresário Marcelo Odebrecht em seu telefone celular relativas aos ex-presidentes Alan García e Ollanta Humala, assim como sobre a líder da oposição, Keiko Fujimori.

"Remetemos à promotoria de lavagem de dinheiro para que procedam de acordo com suas competências, a unidade de colaboração não investiga, só direciona os pedidos", detalhou Peña.

As anotações de Marcelo Odebrecht, corroboradas em um interrogatório com procuradores peruanos, se referem aos supostos pagamentos feitos para a campanha eleitoral de Keiko Fujimori e às suspeitas de coordenações com García e Humala relativas a projetos de interesse da construtora no Peru.

O Ministério Público peruano trabalha para esclarecer o pagamento de US$ 29 milhões da Odebrecht em propinas para vencer licitações de obras públicas entre os anos de 2005 e 2014, um período que compreende os governos de Alejandro Toledo, Alan García e Ollanta Humala.

Além disso, o atual presidente do país, Pedro Pablo Kuczynski, conseguiu evitar a abertura de um processo de impeachment no Congresso por contratos firmados entre uma empresa sua com a Odebrecht quando era ministro de Alejandro Toledo.

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