Fujimori é paciente desde 1997 de médico de junta que recomendou indulto

Lima, 1 jan (EFE).- Um dos médicos que integrou a Junta Médica Penitenciária que recomendou o indulto para o ex-presidente Alberto Fujimori, Juan Postigo, atendia o ex-governante peruano desde 1997 e, inclusive, o operou em 2010 por conta de um câncer, é o que diz um prontuário médico divulgado nesta segunda-feira em Lima.

Postigo, oncologista especializado em pescoço e cabeça, operou o ex-presidente no Instituto Nacional de Doenças Neoplásicas em 17 de fevereiro de 2010, quando Fujimori cumpria pena por abusos aos direitos humanos e corrupção, de acordo com um prontuário de controle anestésico intraoperatório publicado pelo jornal "El Comercio".

No entanto, o cirurgião vinha atendendo Fujimori desde 1997, quando foi detectado um tumor em sua língua, que foi removido completamente.

Postigo participou de um total de seis operações às quais o ex-presidente foi submetido nos últimos 20 anos por lesões na língua e na cavidade bucal, segundo confirmou ao jornal o médico pessoal do ex-governante, Alejandro Aguinaga.

Não obstante, o ex-integrante da Comissão de Indultos Presidenciais Roger Rodríguez, que renunciou na semana passada após o perdão concedido a Fujimori, declarou ao "El Comercio" que "é absolutamente irregular o fato de um médico de um interno integrar a Junta Médica Penitenciária" pela visão subjetiva que o mesmo teria em seu favor.

Rodríguez acrescentou que um fato assim "nunca aconteceu na Comissão de Indultos Presidenciais".

"O que se busca no âmbito do direito público é que os médicos que avaliem um interno tenham uma atuação o mais objetiva possível", frisou Rodríguez.

Após as críticas pelo indulto humanitário concedido a Fujimori, o ministro da Justiça do Peru, Enrique Mendoza, afirmou que os integrantes da Junta Médica foram escolhidos de forma aleatória e que a inclusão de Postigo respondia ao fato de que não existem muitos médicos de sua especialidade no país.

Fujimori cumpria desde 2009 uma condenação a 25 anos de prisão por delitos de lesa-humanidade e recebeu no dia 24 de dezembro um indulto concedido pelo presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski.

Apesar de o indulto ter gerado duras críticas a Kuczynski e, inclusive, manifestações de protesto, o governo defende que o perdão foi concedido por razões estritamente humanitárias.

O ex-governante de 79 anos passou as festividades de Ano Novo internado em uma clínica em Lima, aonde foi submetido a exames por problemas estomacais.

Aguinaga descartou que o ex-governante possa receber alta nas próximas horas porque, segundo ele, Fujimori permanece em repouso na área de cuidados intermediários.

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