ONU denuncia demolição de campos de refugiados na capital da Somália

Nairóbi, 1 jan (EFE).- O coordenador humanitário da ONU na Somália, Peter de Clercq, denunciou nesta segunda-feira a demolição de 23 acampamentos que alojavam mais de 4 mil famílias refugiadas nos arredores da capital do país, Mogadíscio.

"Estou muito magoado após ser informado que estes despejos foram realizados sem aviso prévio. Algumas destas pessoas caminharam longas distâncias desde diferentes partes do país fugindo da seca e do conflito. Perderam seus pertences já que não lhes deram tempo para recolhê-los", indicou De Clercq em comunicado.

Os refugiados estavam nestas terras desde que o anterior proprietário se comprometeu a alojá-las, mas o novo proprietário entrou em uma batalha judicial para expulsá-los, que finalmente acabou ganhando, e após isso compareceu na zona junto às forças de segurança para fazer a demolição.

"Famílias inteiras estão vivendo à mercê agora", lamentou o coordenador humanitário da ONU neste país da África Oriental.

A organização está trabalhando junto às autoridades para garantir uma solução para estas pessoas, para as quais atribuiu recursos que lhes garantam ajuda humanitária.

"Estão sendo destruídas infraestruturas humanitárias e de desenvolvimento como escolas, fontes, centros de saneamento, refúgios e outros investimentos apoiados generosamente pelos doadores", aponta o comunicado.

"Peço às partes envolvidas que protejam e ajudem os civis que fugiram do conflito e da seca e que tanto sofreram. As organizações humanitárias estão preparadas para cooperar com as autoridades e apoiá-las neste sentido", reclamou De Clercq.

Segundo os dados da ONU, na Somália há cerca de dois milhões de pessoas deslocadas, das quais metade teve que abandonar seus lares ao longo de 2017, enquanto o total de pessoas que precisam de ajuda humanitária já chega a 6,2 milhões, pouco menos da metade da população total do país.

As pessoas deslocadas carecem de acesso adequado à comida, refúgio e serviços básicos, e enfrentam ameaças como ataques físicos, violência sexual - especialmente estupros ou exploração sexual - e restrições à livre circulação.

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