Extrema-direita alemã acusa governo, Twitter e Facebook de "censura"

Em Berlim

  • Fabrizio Bensch/Reuters

O partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), terceira força no Bundestag (câmara Baixa), denunciou nesta terça-feira ser alvo de "censura" na internet depois que Twitter e Facebook apagaram mensagens de dois dirigentes ao considerar que podiam incitar ao ódio racial.

"Bem-vindos à RDA (República Democrática Alemã) 2.0", manifestou a copresidente do grupo parlamentar da AfD, Alice Weidel, em referência ao território socialista comandado pela União Soviética em Berlim, entre 1949 e 1990.

Weidel foi uma das primeiras "vítimas" da controversa lei aprovada na Alemanha para combater os chamados crimes de ódio e as notícias falsas nas redes sociais.

A norma, que é aplicada desde ontem, obriga as redes a eliminar mensagens com "conteúdos manifestamente criminosos" em um prazo de 24 horas uma vez denunciados e as empresas que descumprirem sistematicamente esta obrigação poderão ser multadas em até 50 milhões de euros.

Mensagem islamofóbica

Primeiro foi afetada a vice-presidente do grupo ultradireitista, Beatrix  von  Storch, que escreveu uma mensagem islamofóbica no Twitter, pela qual foi denunciada pela Polícia de Colônia e que provocou o bloqueou temporário de sua conta.

Dois anos depois dos abusos sexuais maciços cometidos no Réveillon em Colônia, em parte por imigrantes e refugiados, a polícia da cidade divulgou no Twitter uma mensagem em inglês, francês e árabe na qual desejava uma "feliz, pacífica e respeitosa" virada de ano.

"Que diabos está ocorrendo no nosso país? Por que uma página oficial da polícia posta em árabe? Os senhores acham que vão conseguir moderar muçulmanos que estupram em grupo?", respondeu  Von  Storch à mensagem policial.

A mensagem foi apagada pelo Twitter e a deputada denunciou também que foi censurada no Facebook.

Já a chefe parlamentar Weidel escreveu uma mensagem "de solidariedade" que, segundo é possível ler em sua conta do Twitter, foi "retida" na Alemanha "de acordo com a legislação local".

"2018 começa com a lei de censura nas redes. Nossos funcionários se rendem à ralé de imigrantes importados que saqueiam, bolinam e cravam facas. Beatrix  von  Storch critica, com razão, que a polícia alemã poste em árabe e é bloqueada!", dizia o comentário bloqueado.

"Estes métodos da Stasi me lembram a RDA", recalcou em comunicado o co-presidente do partido, Alexander Gauland.

Gauland pediu aos usuários das redes sociais que se rebelem contra a "censura" e publiquem "várias vezes os comentários apagados".

A AfD chegou ao Bundestag após as eleições de setembro como terceira força parlamentar, ao conquistar 92 cadeiras.

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