Fujimori está preocupado com situação de Kuczynski, diz congressista peruana

Lima, 2 jan (EFE).- A congressista fujimorista Karla Schaefer afirmou que o ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, está "preocupado" com a crise política que o atual presidente Pedro Pablo Kuczynski enfrenta no país depois que este concedeu o indulto que tirou o ex-mandatário da prisão no dia 24 de dezembro.

"(Fujimori) está preocupado com o senhor Kuczynski, quer saber quantas pessoas estão renunciando, já que tudo isso lhe traz um sentimento de culpa", disse a congressista em declarações publicadas nesta terça-feira pelo jornal "Perú21".

Após o indulto concedido a Fujimori na véspera de natal por Kuczynski, que alegou razões humanitárias, as renúncias de funcionários e de integrantes do alto escalão do governo se sucederam, encabeçadas pela do ministro da Cultura, Salvador Del Solar.

Além disso, renunciaram o vice-ministro de Segurança Pública do Ministério do Interior, Ricardo Valdés, três congressistas do partido Peruanos Por el Kambio (PPK), o diretor-geral de Direitos Humanos do Ministério da Justiça e funcionários vinculados com a defesa dos direitos humanos e programas sociais, entre outros cargos.

O indulto foi concedido devido a uma suposta doença grave, degenerativa e incurável cujos sintomas estavam se agravando dentro de prisão. No entanto, grande parte da opinião pública considera que o perdão foi devido a um acordo político para que Kuczynski seguisse governando, em troca da libertação de Fujimori, segundo uma pesquisa publicada no fim de semana.

O indulto foi concedido três dias depois que Kuczynski superou no Congresso a votação de um processo de impeachment contra ele graças à abstenção de um pequeno setor do fujimorismo liderado por Kenji Fujimori, filho mais novo do ex-presidente, que tinha pedido ao atual governante um indulto a seu pai.

Nas declarações publicadas hoje, a legisladora Schaefer detalhou que soube da preocupação de Fujimori quando o visitou na clínica em que permanece internado há uma semana e meia por problemas cardíacos e estomacais.

A congressista acrescentou que Fujimori mostra interesse em saber quais são as baixas que ocorreram no Executivo após a concessão do indulto.

Durante a permanência na clínica, Fujimori recebe visitas frequentes de seus filhos, principalmente do congressista Kenji Fujimori e da líder do partido opositor Força Popular, Keiko Fujimori.

Seu médico pessoal, Alejandro Aguinaga, declarou hoje aos jornalistas que a saúde do ex-governante apresenta uma "resposta positiva", mas reafirmou que ele ainda passa por "períodos de instabilidade muito curtos" e deve continuar em tratamento.

Aguinaga acrescentou que ainda não existe uma data exata para que o ex-presidente receba alta médica, já que Fujimori continua na seção de cuidados intermediários e com visitas restringidas.

Em 2009, Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão como autor imediato (com domínio do fato) dos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), que foram executados pelo grupo paramilitar Colina, e também pelos sequestros de um jornalista e de empresários após o "autogolpe" de Estado em 1992.

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