Parlamento aprova lei para impedir retirada israelense de Jerusalém

Jerusalém, 2 jan (EFE).- O Parlamento israelense aprovou na madrugada desta terça-feira uma proposta de lei que dificulta a cessão de qualquer parte da cidade de Jerusalém a um poder estrangeiro em qualquer futuro acordo de paz, informaram veículos de imprensa locais.

A votação da lei, que aconteceu na madrugada e foi aprovada por uma maioria de 64 parlamentares a favor e 51 em contra, é a nova versão de uma proposta de lei que discutia originalmente a possibilidade de os bairros árabes de Jerusalém serem divididos em uma autoridade municipal independente.

O novo texto dificulta que uma divisão da cidade, que os israelenses reclamam como sua capital indivisível, possa ser feita sem a aprovação do Parlamento ou Knesset.

Os palestinos, por outro lado, exigem Jerusalém Leste como capital de seu futuro Estado.

A proposta de lei é uma emenda à Lei Básica de Jerusalém e, agora, se qualquer governo pretender dividir a cidade, precisará que 80 dos 120 parlamentares apoiem qualquer cessão territorial da disputada cidade.

"O objetivo do projeto de lei é evitar concessões nas negociações diplomáticas", explicou uma das proponentes, a deputada Shuli Moalem Rafaeli, segundo informou o "Canal 2" de notícias.

Jerusalém voltou a se situar no centro do debate desde que em 6 de dezembro o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a reconheceu como capital de Israel e disse que mudaria a embaixada do seu país de Tel Aviv para a cidade sagrada.

A declaração de Trump sobre Jerusalém, que rompeu com a tradição política americana de evitar o debate sobre o status da cidade e desafiou as advertências internacionais, foi bem recebida pelo Governo israelense e outros líderes do espectro político.

No entanto, enfureceu os palestinos, o que derivou em distúrbios e enfrentamentos com soldados israelenses nos quais 13 palestinos foram mortos.

Trump indicou que não especificava as fronteiras da soberania israelense na cidade e pediu que não fosse modificado o status quo dos lugares sagrados da cidade.

O parlamentar da oposição israelense Najman Shai, da União Sionista, criticou ontem à noite a nova lei, advertindo que poderia derivar em novos distúrbios.

"Quando Jerusalém arde, tudo arde", declarou Shai, segundo a emissora de rádio "Kan Bet".

Israel ocupou Jerusalém Leste na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexou a cidade em 1980, contra a opinião da comunidade internacional que se nega a reconhecer a cidade como capital israelense, com o argumento de que é um assunto a resolver em negociações com os palestinos.

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