Procuradoria do Peru inicia trâmite para interrogar ex-executivo da Odebrecht

Lima, 2 jan (EFE).- A Procuradoria de Lavagem de Dinheiro do Peru iniciará nesta semana os trâmites para interrogar o empresário Jorge Barata, ex-representante da Odebrecht no país, informaram nesta terça-feira veículos de imprensa locais.

Barata, que está na Bahia, será requerido em condição de testemunha e o pedido já foi enviado ao Ministério Público do Brasil, segundo informa o jornal "El Comercio".

De acordo com fontes do jornal, a defesa de Barata indicou que o seu cliente está disposto a dar seu testemunho à Procuradoria peruana, uma vez que existe um acordo de delação premiada.

Os procuradores peruanos que solicitaram o interrogatório de Barata são Germán Juárez e José Domingo Pérez, que investiga o ex-presidente Ollanta Humala (2011-2016) e a líder opositora Keiko Fujimori, respectivamente, pela suposta comissão do crime de lavagem de dinheiro.

As fontes apontaram que a coordenação da diligência será feita mediante o procurador brasileiro Orlando Martello, da equipe de investigação do caso Lava Jato em Curitiba, que já foi o intermediário dos procuradores peruanos que interrogaram em novembro o empresário Marcelo Odebrecht.

O empresário declarou aos procuradores que "com certeza" sua empresa apoiou políticos peruanos como Keiko Fujimori, Alan García, Alejandro Toledo e Ollanta Humala, e também recebeu consultorias do atual presidente Pedro Pablo Kuczynski, segundo a transcrição do interrogatório, publicada na semana passada pelo portal de investigação jornalística "IDL-repórteres".

Odebrecht disse que o seu intermediário no Peru foi Barata e comentou com os procuradores que tem detalhes das operações irregulares de sua empresa no país.

Após o testemunho ser revelado, Fujimori, García e Nadine Herédia, esposa do detido ex-presidente Humala, rejeitaram ter recebido contribuições da Odebrecht, enquanto legisladores fujimoristas acusaram o procurador-geral do Peru, Pablo Sánchez, de ter entregue o áudio com as declarações à imprensa.

Sánchez negou neste fim de semana ser o responsável pelo vazamento do documento e assegurou que seu escritório "não teve e nem tem em poder" cópia do testemunho.

O fujimorismo impulsiona uma acusação constitucional que procura destituir Sánchez através do Congresso por uma suposta "inação" nas investigações do caso de corrupção Lava Jato.

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