Associação belga cria casas de papelão de origami para proteger sem-tetos do frio

Rosa Jiménez

Em Bruxelas

  • Nicolas Maeterlinck/AFP Photo

Uma associação sem fins lucrativos belga distribuiu os primeiros refúgios de papelão inspirados em origamis para pessoas que vivem nas ruas em Bruxelas, onde existem protocolos de assistência durante o inverno.

"Tive esta ideia após falar com uma pessoa sem domicílio fixo. Eles utilizam papelões pelas suas virtudes térmicas, mas em geral são difíceis de transportar e os serviços de limpeza costumam recolher", afirmou a meios de comunicação belgas Xavier Van der Stappen, presidente da associação Culturas e Comunicações.

Esta ONG apresentou na semana passada o projeto "ORIG-ami", que faz alusão à técnica japonesa para criar um abrigo de papelão dobrável e fácil de transportar como uma mochila, que uma vez aberto se assemelha a um túnel com espaço para uma ou duas pessoas.

Após um projeto-piloto em Lieja (leste), a iniciativa chegou aos limítrofes da Estação do Norte de Bruxelas com as 20 primeiras unidades, mas já há perspectiva de chegar a 100 para o inverno seguinte.

As frias temperaturas e o aumento do número de pessoas que dormem nas ruas estimularam a imaginação dos designers, que em três meses desenvolveram o conceito, segundo a associação.

"Tivemos bons comentários. As pessoas que dormem nas ruas não só terão uma proteção, mas também uma estrutura mais segura", destacou Van der Stappen, que acrescentou que foi deixada uma entrada de cada lado para facilitar a fuga "em caso de agressão".

Para a ONG, este sistema pode ser a alternativa às barracas que o regulamento municipal proíbe.

"A intenção é boa. Pode ser uma medida de urgência para as pessoas que não desejam ir a um centro de acolhimento no inverno", disse à Agência Efe a porta-voz da Samusocial em Bruxelas Marie-Anne Robberecht.

Para Robberecht, o segredo está em que a ideia "precisamente não impeça as pessoas de ir aos centros e que não seja algo permanente".

Em sua opinião, pode ser útil para as pessoas que, apesar de poder passar a noite em um albergue, se negam a abandonar a rua, mas "continua sendo (uma solução) extremamente precária" e talvez, segundo apontou, seria mais conveniente "dar cobertores".

Em Bruxelas as pessoas não são obrigadas a deixar as ruas quando as temperaturas são extremadamente baixas, embora haja casos de famílias em que "se pode agir de maneira mais coerciva e fazer a polícia intervir", disse Robberecht.

Nestes dias as temperaturas mínimas ficaram abaixo de zero graus na capital belga, com chuva e umidade, condições difíceis para as cerca de 2,6 mil pessoas que dormem nas ruas de Bruxelas.

O Samusocial, dispositivo de urgência para pessoas sem-teto na capital, conta com centros permanentes abertos para receber estas pessoas e, por enquanto, "têm espaço para todas que fizeram pedido" para entrar.

"Temos mais ou menos 400 vagas permanentes e a elas se acrescentam 600 distribuídas pela Região (de Bruxelas) para o inverno", comentou a porta-voz, que disse ainda que pode-se acrescentar outras 300 vagas disponibilizadas pelo governo federal geridas pela Cruz Vermelha.

Os primeiros "ORIG-AMI" foram produzidos com fundos próprios: os planos foram feitos em um centro estadual de reinserção trabalhista, uma empresa de papelão proporcionou o material e a oficina da prisão de Lantin (nos arredores de Lieja) montou as peças, explicou Van der Stappen à emissora pública "RTBF".

Agora a associação Culturas e Comunicações convida a população a "apadrinhar " estes refúgios de papelão com cerca de 30 euros para poder colocar mais unidades à disposição dos que precisam no inverno.
 

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