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Advogados enviam a Bannon documento que exige fim de declarações sobre Trump

04/01/2018 12h29

Washington, 4 jan (EFE).- Os advogados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviaram ao ex-assessor da Casa Branca Steve Bannon um documento que exige que ele pare de fazer declarações sobre o republicano e cumpra os termos de acordo de confidencialidade assinado por ele quando assumiu o cargo.

O documento, divulgado nesta quinta-feira pela imprensa americana, exige que Bannon pare de fazer declarações que violem o acordo de confidencialidade que ele assinou ao ser tornar chefe de campanha de Trump e estrategista-chefe da Casa Branca.

A ação ocorre depois da publicação de trechos do livro "Fire and Fury: Inside The Trump White House" (Fogo e Fúria: Dentro da Casa Branca de Trump), do jornalista Michael Wolff.

Segundo o livro, Bannon classificou como "traição" e "antipatriótica" uma reunião realizada em 2016 entre o filho mais velho de Trump, Donald Jr., com um grupo de russos na busca de documentos para prejudicar Hillary Clinton.

Além do filho do presidente, participaram do encontro na Trump Tower de Nova York o genro de Trump, Jared Kushner, e o então chefe da campanha republicana, Paul Manaford.

"Ele descumpriu o acordo (de confidencialidade) ao, entre outras coisas, conservar com o autor sobre o sr. Trump, os membros de sua família e a empresa (Trump Organization). Ao divulgar informações confidenciais ao sr. Wolff e fazer declarações depreciativas e, em alguns casos, difamatórias sobre Trump, sua família e sua empresa", diz o documento enviado a Bannon.

"Uma ação legal (contra Bannon) é iminente", disseram os advogados do presidente.

Na tarde de ontem, a Casa Branca tinha divulgado um duro comunicado de Trump, no qual o presidente afirmava que Bannon "perdeu a cabeça" quando foi demitido.

"Steve raras vezes esteve em reuniões a sós comigo e só finge ter tido influência para enganar poucas pessoas que não têm acesso ou ideia, a quem ajudou a escrever livros falsos", disse o presidente sobre o livro escrito por Wolff.

Bannon foi uma das figuras mais poderosas da Casa Branca entre janeiro e agosto de 2017, quando foi demitido sem muitas explicações. Desde então, ele voltou a comandar o site "Breitbart News", já editado por ele antes da campanha de Trump.

O presidente americano também acusou Bannon de ter sido a fonte de vazamentos falsos feitos à imprensa, minimizou o papel do assessor na vitória eleitoral em novembro do ano passado.

"Agora que está sozinho, Steve está se dando conta que ganhar não é tão fácil como eu faço parecer. Steve teve muito pouco a ver com a nossa vitória histórica, que foi atingida graças aos homens e mulheres esquecidos deste país", afirmou o presidente.

Trump também culpou Bannon pela perda na disputa por uma cadeira no Senado no estado do Alabama, mantida pelos republicanos há mais de 30 anos. O presidente se referia à recente derrota de Roy Moore, candidato de Bannon, para o democrata Doug Jones.

Nas primárias, Trump chegou a apoiar Luther Strange, mas depois da vitória de Moore respaldou o candidato de seu antigo assessor. Em outubro, o presidente chamou Bannon de "amigo".

Wolff afirma que seu livro é baseado em mais de 200 entrevistas com o presidente e seu círculo político. Fontes citadas hoje pelo "The Washington Post" afirmam que, nos primeiros meses do governo, o autor era visto andando na ala oeste da Casa Branca sem escolta ou até mesmo escondido no escritório de Bannon.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, afirmou ontem que Wolff só entrevistou Trump em uma única oportunidade. A conversa teria durado, segundo ela, entre cinco e sete minutos.