Erdogan critica EUA e afirma que acordos bilaterais estão "perdendo validade"

Istambul, 5 jan (EFE).- O presidente da Turquia, o islamita Recep Tayyip Erdogan, criticou nesta sexta-feira os Estados Unidos por causa da condenação de um banqueiro turco nesse país e garantiu que os acordos bilaterais em matéria judicial entre ambos países estão, em sua opinião, "perdendo validade".

"A lei, os laços bilaterais e os acordos entre nós estão perdendo validade. Me dói dizer isto, mas acredito que a partir de agora será assim", disse Erdogan no aeroporto de Istambul antes de viajar a Paris, onde se reunirá hoje com o presidente da França, Emmanuel Macron.

O presidente turco acusou os EUA de deixar-se influir "por uma série de conspirações", ao processar e condenar Mehmet Hakan Atilla, ex-vice-presidente do banco estatal turco HalkBank, por uma trama destinada a evadir sanções impostas ao Irã.

"Se esta é a compreensão da Justiça nos Estados Unidos, então o mundo está condenado ao fracasso", assegurou Erdogan.

Atilla foi condenado por conspirar junto com empresário turco-iraniano Reza Zarrab para ajudar empresas iranianas a lavar milhares de milhões de dólares em transações durante 2011 e 2012 com o fim de evadir as sanções impostas pelos Estados Unidos.

Um tribunal de Nova York o declarou culpado esta semana de cinco acusações de conspiração e fraude bancária.

Zarrab, que chegou a um acordo com a Justiça americana para reduzir sua pena, testemunhou contra Atilla e implicou na trama o próprio Erdogan, bem como ex-ministros turcos.

Por outra parte, Erdogan acusou hoje os EUA de "interpretar mal" suas próprias leis, ao não aceitar o pedido turco de extraditar o clérigo islamita Fethullah Gülen, residente no estado da Pensilvânia desde 1999, e a quem Ancara responsabiliza pelo fracassado golpe de Estado de julho de 2016.

"Os Estados Unidos deveriam reconsiderar sua compreensão da justiça. Eles são desde 1999 anfitriões da pessoa que cometeu um golpe no meu país. Os nossos acordos judiciais bilaterais podem perder validade", advertiu Erdogan.

Gülen foi até 2013 um estreito aliado do governante partido islamita Justiça e Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2002.

Divergências de estratégia e lutas de poder terminaram confrontando os seguidores de Gülen e o AKP, convertidos agora em inimigos irreconciliáveis.

O AKP pediu a extradição de Gülen e começou a expurgar da administração supostos membros da confraria, inclusive antes da tentativa de golpe, mas, após o levante, a perseguição se intensificou.

A relação entre Turquia e EUA, sócios na OTAN e aliados há décadas, se deteriorou nos últimos anos.

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