Ex-presidente Fujimori deixa clínica onde estava internado em Lima

Lima, 4 jan (EFE).- O ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, deixou na quinta-feira a clínica Centenária de Lima, onde esteve internado durante doze dias, após ter recebido o indulto do atual presidente Pedro Pablo Kuczynski.

Fujimori saiu da clínica, no distrito de Pueblo Libre, em uma cadeira de rodas acompanhado pelo seu filho mais novo Kenji Fujimori e outros colaboradores do legislador.

O ex-presidente, de 79 anos, cumprimentou os jornalistas antes de embarcar em uma caminhonete e abandonou o local protegido por agentes de Segurança do Estado.

Durante sua permanência no centro médico, Fujimori foi submetido a uma série de análises e tratamentos para resolver seus problemas de saúde que justificavam o perdão humanitário.

Fujimori ingressou na clínica um dia antes do indulto outorgado por Kuczynski alegando problemas de pressão arterial, que, de acordo com o ex-diretor-geral dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça, Roger Rodríguez, nunca se classificou para um perdão humanitário.

O indulto ao ex-governante gerou uma divisão dentro do partido fujimorista Força Popular, dirigido pela sua filha Keiko Fujimori, pois em um comunicado, seu Comitê Executivo Nacional expressou na quinta-feira sua saudação à liberdade do seu fundador, embora discordasse da "maneira pela qual conseguiu".

Keiko Fujimori vinha tentando que seu pai recuperasse a liberdade nos tribunais, enquanto que o seu irmão caçula, o legislador Kenji Fujimori, defendeu sempre a opção de um indulto humanitário.

De acordo a informação divulgada pelo governo, o pedido de indulto foi apresentado em dezembro, dias depois de um processo de destituição contra Kuczynski por supostos vínculos com a construtora Odebrecht.

O chefe de Estado foi salvo da destituição por conta, em parte, pela abstenção de Kenji Fujimori e outros nove legisladores do seu partido, em oposição à postura do resto da sua bancada que apoiava a saída de Kuczynski.

O indulto foi concedido três dias após a frustrada destituição, alimentando as versões da oposição que se tratou de uma negociação entre o presidente e Kenji Fujimori.

Horas antes da saída de Fujimori da clínica, uma centena de seguidores foram para a casa de Kuczynski, agradecendo pelo indulto humanitário dado a Fujimori, na véspera do Natal.

Os manifestantes vestiam camisetas brancas com a inscrição "Fujimori Libertad" e levavam bandeiras e cartazes onde agradeceram a "PPK", como é conhecido o presidente.

Uma vez nas imediações da casa do governante, os manifestantes lançaram pombas brancas e afirmaram que "se fez justiça com o melhor presidente do Peru".

Alberto Fujimori cumpria uma pena, proferida em 2009, de 25 anos de prisão pelos massacres de Barrios Altos e La Cantuta, onde morreram 25 pessoas, perpetradas pelo grupo militar Colina em 1991 e 1992, além do sequestro de um jornalista e um empresário.

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