Paquistão afirma que seguirá lutando contra o terrorismo após medidas dos EUA

Islamabad, 5 jan (EFE).- O Paquistão afirmou nesta sexta-feira que continuará lutando contra o terrorismo com seus próprios recursos, depois que os Estados Unidos suspenderam a maior parte da sua ajuda em segurança ao país asiático até que tome medidas contra grupos terroristas que representam uma ameaça para Washington.

"O Paquistão lutou contra o terrorismo principalmente com os seus próprios recursos com um custo de US$ 120 bilhões em 15 anos. Estamos determinados a continuar fazendo todo o necessário para garantir a vida de nossos cidadãos e a estabilidade na região", indicou o Ministério de Relações Exteriores afegão em comunicado.

A cooperação paquistanesa-americana em matéria antiterrorista "serviu diretamente" à segurança nacional dos EUA e à comunidade internacional, e ajudou a dizimar a Al Qaeda, acrescentou a nota.

Na opinião do governo do Paquistão, as "datas limites arbitrárias", "os anúncios unilaterais" e "as mudanças de objetivo" são contraproducentes na hora de fazer frente às ameaças comuns.

Além disso, o governo paquistanês destaca que está em contato com as autoridades americanas e espera "mais detalhes" da sua decisão, cujas consequências serão "mais claras" com o passar do tempo.

A reação do país asiático é divulgada um dia depois de Washington anunciar a suspensão da maior parte da sua ajuda de segurança ao Paquistão até que Islamabad "tome medidas decisivas" contra grupos terroristas como os talibãs que "desestabilizam a região e ameaçam o pessoal dos EUA".

A porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, garantiu que esse dinheiro será congelado, ou seja, não será realocado a nenhuma outra verba, para manter uma "necessária flexibilidade" sobre a decisão.

O Departamento de Estado havia anunciado também na quinta-feira a inclusão do Paquistão "em uma lista de observação especial" por "suas graves violações à liberdade religiosa".

Estas decisões dos Estados Unidos foram anunciadas depois que o presidente Donald Trump publicou na segunda-feira uma dura mensagem no Twitter na qual acusava Islamabad de "mentiras e enganos" e de "dar refúgio a terroristas".

O Paquistão qualificou como "incompreensíveis" as palavras de Trump e de "imaginários" os US$ 33 bilhões em ajudas que os EUA teriam entregado ao país asiático em conceito de ajuda em 15 anos, segundo o presidente americano.

EUA e Afeganistão acusaram o Paquistão durante anos de dar refúgio à facção talibã Rede Haqqani, que atenta contra tropas afegãs e americanas, uma acusação que Islamabad nega.

No entanto, alguns dos terroristas mais procurados do planeta residiram em solo paquistanês, como o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, que foi abatido por forças americanas na cidade de Abbottabad em 2011, e o fundador dos talibãs afegãos, o mulá Omar, que morreu em um hospital de Karachi em 2013.

Mais recentemente, o sucessor de Omar, o mulá Mansur, morreu em um ataque de um drone em solo paquistanês em maio de 2016.

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