Rússia acusa EUA de buscar desculpas para aumentar pressão sobre o Irã

Moscou, 5 jan (EFE).- A Rússia acusou nesta sexta-feira os Estados Unidos de buscar desculpas para aumentar a pressão sobre o Irã, ao planejar renegociar o acordo nuclear assinado em julho de 2015 entre Teerã e as seis grandes potências.

"O que procura é uma desculpa para reforçar a pressão sobre o Irã por motivos alheios ao plano de ação, e é o que está acontecendo pelo o que observamos, então trata-se de um passo indigno de uma grande potência", disse Serguei Riabkov, vice-ministro de Relações Exteriores, à agência oficial "Ria Nóvosti"

O diplomata apontou que as chamadas para revisar o acordo se repetem com assiduidade e agora concordam com a onda de protestos antigovernamentais no país islâmico.

"Não entendemos o que exatamente os americanos não gostam no plano de ação. O conteúdo do documento é bem conhecido e a parte norte-americana segue de perto o cumprimento do acordo, e participa das reuniões da comissão conjunta e de outros debates", disse.

Riabkov se referia às novas declarações do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, sobre o fato de a Casa Branca procurar um novo acordo que estipularia o restabelecimento das sanções contra o Irã se este retomar suas tentativas de fabricar armas nucleares.

"Não vemos nenhum motivo para modificar o plano de ação. O acordo foi escrupulosamente pensado. Cada ponto tem uma base lógica", apontou o funcionário russo.

Riabkov criticou as tentativas de utilizar o plano nuclear como "instrumento" político, quando trata-se de um acordo que deve ser "protegido".

"É o que tentamos fazer nossos colegas norte-americanos entender. Esperamos que outros assinantes do acordo, outros membros da comunidade internacional, sigam trabalhando conosco para corrigir os erros do rumo tomado por Washington", apontou.

O pacto nuclear, assinado entre Irã e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, Reino Unido, França, China e Alemanha), limita o programa atômico de Teerã em troca da suspensão das sanções econômicas internacionais.

Quanto às sanções impostas ontem por Washington contra cinco entidades iranianas pelo envolvimento no desenvolvimento do programa de mísseis balísticos de Teerã, Riabkov as rejeitou e incentivou os EUA a dialogarem com o Irã.

Riabkov já advertiu ontem aos EUA contra a ingerência nos assuntos de seu aliado e considerou "nocivos e destrutivos" os planos de Washington de convocar uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU para analisar a situação nesse país.

No final do passado ano e começo deste, o Irã foi palco de protestos antigovernamentais contra a corrupção e de represália política em numerosas cidades do país, que desembocaram em distúrbios e deixaram mais de 20 mortos.

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