Rússia diz que EUA atentam contra soberania do Irã ao pedirem reunião na ONU

Moscou, 5 ene (EFE).- A Rússia acusou nesta sexta-feira os Estados Unidos de atentarem contra a soberania do Irã ao solicitarem uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para analisar os protestos antigovernamentais dos últimos dias na república islâmica.

"Sob o pretexto de se preocuparem com a democracia e os direitos humanos, (os EUA) atentam diretamente contra a soberania de outros países", disse o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, à imprensa local.

Ryabkov assegurou que a iniciativa dos EUA de abordar a situação no Irã no Conselho de Segurança não é outra coisa que a continuação de uma política de "ingerência" no mundo, tanto "aberta" como "encoberta".

O vice-ministro lembrou que o Conselho de Segurança da ONU é o principal responsável pela manutenção da paz e da segurança internacionais, "mas, em nenhum caso, tem responsabilidade pela segurança interna de um país ou competência para resolver assuntos relacionados com o desenvolvimento social de um ou de outro país".

Ryabkov lamentou o fato de os EUA utilizarem o Conselho de Segurança para satisfazer suas ambições e tirar proveito político das dificuldades internas do Irã.

O diplomata enfatizou que os fatos ocorridos no Irã devem ser analisados no contexto da política nacional do país e a resposta deve ser a busca pela interação entre as autoridades e a sociedade iraniana.

"Desejamos sucesso ao povo e aos dirigentes de um país amigo como o Irã na hora de superar as atuais dificuldades e ter força para fazer frente às ações hostis por parte dos EUA", insistiu o vice-ministro russo.

Ryabkov também justificou as denúncias de Teerã sobre uma suposta conspiração internacional para desestabilizar o regime teocrático.

O diplomata russo lembrou que Washington costuma recorrer a qualquer tipo de medida de pressão para desestabilizar regimes, sejam verbais, sanções e até o uso da força.

"Sabemos o quão negativa é a atitude da elite americana em relação ao Irã. Assim, acredito que as afirmações por parte dos dirigentes iranianos estão justificadas e não poderia ser diferente", afirmou.

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá hoje, a pedido dos Estados Unidos, para analisar os protestos ocorridos nos últimos dias no Irã.

Na manhã de hoje, Ryabkov já havia acusado os EUA de buscarem uma desculpa para aumentar a pressão sobre o Irã para renegociar o acordo nuclear assinado em julho de 2015 entre Teerã e o G5+1 (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França, mais Alemanha).

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