Alemanha supera diferenças com a Turquia e retoma contatos com Istambul

Berlim, 6 ene (EFE).- Os ministros das Relações Exteriores da Alemanha, Sigmar Gabriel, e da Turquia, Mevlut Cavusoglu, defenderam neste sábado superar as diferenças entre os dois países e a retomada dos contatos políticos e econômicos, após as tensões entre Berlim e Istambul dos últimos meses.

Em declarações aos veículos de imprensa após se reunirem na cidade alemã de Goslar, os ministros lembraram os séculos de história conjunta e, embora tenham reconhecido que não estão de acordo em todos os assuntos, apostaram em estreitar a cooperação e impulsionar o diálogo.

Como exemplos da recente distensão, Gabriel se referiu ao retorno à Alemanha em novembro de um ativista de direitos humanos que tinha sido detido na Turquia e à liberdade da jornalista alemã-turca Mesale Tolu após meses de encarceramento em Istambul acusada de pertencer a uma organização terrorista.

Ao seu julgamento, a responsabilidade dos dois governos é "fazer todo o possível para que as dificuldades que existiram possam ser superadas" e buscar pontos de encontro.

"Não temos a mesma opinião em todos os assuntos e tampouco é necessário", disse Cavusoglu, que confiou que o impulso das relações alemão-turcas sirva como exemplo também para que a União Europeia retome o diálogo com Istambul para atualizar a união aduaneira, em benefício de ambas as partes.

Os dois ministros concordaram em revitalizar as comissões bilaterais sobre política e economia.

Gabriel lembrou que na Alemanha vivem três milhões de cidadãos de origem turca, ressaltou que a Turquia é um aliado na Otan e na luta contra o Estado Islâmico e apostou em impulsionar um diálogo franco baseado no respeito "mútuo".

O ministro enterrava assim a ofensiva lançada pelo Executivo da chanceler Angela Merkel em julho do ano passado, quando a Turquia foi declarada um país "inseguro" para os cidadãos e para os investidores pelas "arbitrariedades" do governo de Recep Tayyip Erdogan e a insegurança jurídica.

As tensões começaram em 2015, após o Parlamento alemão condenar o genocídio armênio durante o Império Otomano em 1915, durante a I Guerra Mundial, e Ancara receber a resolução como uma afronta.

A Turquia vetou repetidamente a visita de deputados alemães a seus soldados da base turca de Incirlik, até que Berlim decidiu retirar suas tropas, e, após o golpe de Estado fracassado de julho de 2016, foram detidos mais de dez cidadãos alemães.

O mais conhecido é o jornalista alemão-turco Deniz Yücel, preso desde fevereiro do ano passado acusado de propaganda terrorista e sobre quem também conversaram hoje os dois ministros, ainda que não tenham revelado qual será o seu futuro.

"Sim, há diferenças, houve problemas, mas estamos de acordo e temos vontade de superar essas diferenças através do diálogo", insistiu o ministro turco.

Ancara acusa a Alemanha de acolher terroristas do Partido dos Trabalhadores do Kurdistão (PKK) e seguidores do clérigo Fethullah Gülen, a quem o governo turco responsabiliza pela tentativa de golpe de Estado, mas Gabriel ressaltou que Berlim aplica a lei.

Após apontar que a Procuradoria alemã tem mais de 3 mil processos abertos sobre supostos membros do PKK, também considerado por Berlim uma organização terrorista, o ministro se comprometeu a investigar se está na Alemanha "uma das principais figuras" instigadoras do golpe, segundo Ancara, para que a polícia atue.

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