Comerciantes cristãos celebram Natal copta sob ameaça do terrorismo no Egito

Azza Guergues e Isaac J. Martín.

Cairo, 6 jan (EFE).- Comerciantes cristãos da cidade do Cairo, a capital do Egito, vivem com insegurança e ameaças de ataques por parte de extremistas a celebração do Natal copta, depois que esta comunidade foi duramente atacada no ano passado.

"Advertimos a vocês, cristãos imundos, que têm que fechar seus comércios impuros", diz uma mensagem deixada no carro de Amir Gatas, um homem de 35 anos e proprietário de uma loja de presentes e roupas no bairro cairota de Shubra, onde há grande presença de coptas, a minoria cristã do Egito.

Com o som de fundo das máquinas de costura de sua oficina, onde estão perfiladas as roupas e enfeites do Natal que será comemorado neste domingo, dia 7 de janeiro, Gatas relatou à Agência Efe que, além dessa mensagem ameaçadora, encontrou outra advertência em sua caixa de correio.

"Fui à delegacia para tentar conseguir uma autorização para portar armas, mas isto me foi negado", contou Gatas em um edifício situado a poucos metros da Igreja de Santa María, que está completamente cercada por barreiras de segurança, enfeitada com tecidos coloridos e com forte presença policial.

Os coptas foram alvo do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) mais uma vez no último dia 29, quando um homem armado atacou uma igreja em Helwan, ao sul do Cairo, e abriu fogo contra uma loja próxima, deixando dez mortos.

Este atentado aconteceu um ano depois do primeiro de uma série de ataques a cristãos no último ano, que causaram a morte de mais de 100 fiéis desta religião que representa mais de 10% da população egípcia.

Mina Sabry, de 53 anos e proprietário de uma pequena loja em que as árvores de Natal na parte externa levam até a porta, disse à Efe que, se o atentado de Helwan se repetir, será o início de "uma etapa perigosa, que será difícil deter".

Sem qualquer sombra de dúvida, Sabry disse que comparecerá às missas que serão celebradas no Natal, mas revelou que fica angustiado ao pensar que, se não houver um fim para incidentes desse tipo, "as pessoas serão assassinadas por causa de sua identidade" religiosa.

"O terrorismo começou a tomar uma nova direção", comentou Sabry, ao explicar que, antes, seu principal alvo eram as igrejas, e depois, as lojas dos cristãos. Agora, o comerciante teme que a violência seja direcionada "contra os próprios cristãos nas ruas".

"Se permitirmos isto, depois não será possível controlar", afirmou Sabry, cujo irmão emigrou em 2011 para os Estados Unidos por medo da perseguição e da discriminação que os coptas sofrem no Egito.

O comerciante copta confessou que a tristeza é o sentimento que prevalece entre os cristãos pela morte dos "mártires que perecem em sua pátria por causa de sua religião" e se mostrou preocupado com seus filhos e sua mulher, e também com o "futuro do país".

Apesar da presença policial e do estado de emergência declarado no país após os ataques de Domingo de Ramos contra dois templos nas cidades de Tanta e Alexandria, nos quais mais de 45 pessoas morreram, Sabry acredita que essa proteção não é suficiente.

"Não há segurança. Não sei se isto é intencional ou não, mas há negligência por parte do Estado na hora de fazer frente ao terrorismo e aos atentados contra as igrejas e os cristãos", disse o comerciante copta, que acrescentou que "fechar as ruas não é suficiente", e que é preciso "tomar medidas para saber de onde vem esse pensamento" radical.

A poucos metros de distância do estabelecimento de Sabry, Viuni, de 30 anos, administra uma loja de bebidas alcóolicas, um lugar "hostil" e que pode ser um alvo potencial, depois que na noite de ano novo homens armados mataram dois coptas em frente a uma loja de bebidas no sul da capital, quando estes ajudavam o proprietário do local, um ataque cuja autoria não foi reivindicada por nenhum grupo extremista até o momento.

"Estou preocupado, pois trabalhamos em uma profissão hostil", garantiu Viuni, enquanto pedia a um de seus funcionários que ficasse atento à parte externa da loja porque um homem com barba havia passado pelo local, um aspecto físico comum entre os muçulmanos mais religiosos.

Seu estabelecimento, situado em uma rua comercial de Shubra, está bastante exposto e o único dispositivo de segurança que passa por sua porta é o mesmo responsável pelo templo sagrado situado a poucos metros.

"Por mais que eu deseje que esta situação acabe logo, acredito que ainda vai durar muito tempo", concluiu o comerciante em voz baixa.

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