Trump se define como "gênio" em meio a debate sobre sua saúde mental

(Atualiza com novas declarações de Trump).

Lucía Leal.

Washington, 6 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se definiu neste sábado como "um gênio muito estável" em uma tentativa de acabar com as especulações sobre sua capacidade e estabilidade mental que circularam por Washington após a publicação de um livro sobre o seu governo.

"Realmente, ao longo da minha vida, minhas duas grandes habilidades foram a estabilidade mental e ser realmente inteligente", afirmou Trump em sua conta no Twitter.

O presidente americano mostrava assim indignação com os rumores gerados após a publicação na sexta-feira passada do livro "Fire and Fury" ("Fogo e Fúria"), cujo autor, Michael Wolff, afirma que funcionários da Casa Branca questionam as capacidades de Trump para governar.

Perguntado depois, em uma coletiva de imprensa em Camp David, no estado de Maryland, por qual razão sentiu necessidade de comentar sobre a sua saúde mental e inteligência, Trump começou a tecer uma lista de elogios a si mesmo dizendo que frequentou as melhores universidades, se tornou um empresário de enorme sucesso, foi estrela de programa de TV e ganhou a presidência na primeira tentativa. Ele voltou a criticar Wolff, disse que o escritor é uma "fraude" e defendeu um endurecimento das leis de difamação no país para evitar que sejam publicados livros com afirmações "falsas" como, em sua opinião, são as do jornalista.

Segundo Wolff, "cem por cento" dos assessores do presidente "o veem como um menino" e o chamam de "idiota", e o seu ex-estrategista-chefe, Steve Bannon, acredita que o governante "perdeu a cabeça".

"Este homem não lê, não escuta. É como um 'pinball', virando a todas as partes", disse o autor em entrevista à emissora "NBC News" na sexta-feira.

Esse rumor sobre pessoas próximas ao presidente se somou à revelação de que, há um mês, um grupo de legisladores - a maioria democrata - convocou uma professora de psiquiatria na Universidade de Yale, Bandy X. Lee, para falar sobre o que o comportamento de Trump mostra sobre o seu estado mental.

"(Trump) Vai perder o controle. Estamos vendo os sinais", disse ela aos políticos, conforme afirmou em entrevista ao portal "Politico" na quarta-feira.

O presidente deu mais razões aos que o acusam de sofrer de um transtorno narcisista na última terça-feira, quando se vangloriou no Twitter que, assim como o líder norte-coreano Kim Jong-un, ele também tem acesso a um "botão nuclear", mas que o seu é "muito maior e mais poderoso".

Essa ameaça de um ataque nuclear, somada às revelações do livro e a reunião no Congresso, trouxe de volta especulações sobre a possibilidade de Trump ser afastado do poder mediante a ativação da 25ª emenda da Constituição americana. O artigo, aprovado em 1967, estabelece a possibilidade de retirar o presidente do poder caso seja considerado "incapaz de se ocupar dos deveres do cargo".

No entanto, os especialistas consultados pela Agência Efe afirmam que é "altamente improvável" que essa emenda possa ser aplicada.

"A emenda não foi concebida para abordar o temperamento e a saúde mental, mas a incapacitação, como no caso de o presidente sofrer um derrame cerebral ou alguma questão grave que o impeça de fazer o seu trabalho", explicou Matthew Dallek, historiador e cientista político da Universidade de George Washington.

Segundo ele, para usar essa emenda seria preciso que muitos membros do gabinete e o próprio vice-presidente declarassem que ele é incapaz, e se Trump desafiasse essa análise, dois terços do Congresso teriam que votar contra ele para poder expulsá-lo do cargo.

Na mesma linha opinou Patrick Maney, historiador presidencial na universidade Boston College Para ele, nem a 25ª emenda, nem outro processo de destituição são realmente possíveis, por causa da composição do gabinete executivo e o Congresso atualmente.

"Com exceção dos seus assessores militares, (Trump) encheu o seu gabinete de figuras fracas que dificilmente o desafiarão", indicou.

Exatamente por valorizar enormemente a lealdade de quem o cerca, para Trump foi ruim a publicação de "Fire and Fury", um embaraçoso retrato sobre a Casa Branca traçado através do depoimento anônimo de vários funcionários.

"O presidente Trump se sente traído, sem dúvida. Esta é a acusação mais cáustica já feita contra um presidente dos Estados Unidos por parte das pessoas que o cercam", afirmou Maney.

Segundo Dallek, apesar de Trump ter dirigido a maioria de seus ataques a Bannon, por criticar no livro o filho dele, Donald Jr., o presidente americano parece estar incomodado também com as opiniões negativas de seus "assessores próximos".

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