Jihadista francesa capturada na Síria aparece em vídeos publicados pelas YPG

Beirute, 8 jan (EFE).- A jihadista francesa Emilie König, capturada pela milícia curdo-síria Unidades de Proteção Popular (YPG, por sua sigla em curdo), aparece em dois vídeos divulgados nesta segunda-feira por este grupo armado, nos quais nega que tenha sido torturada pelo bando.

Em uma das gravações, König, fala em árabe com legendas em inglês, enquanto na segunda repete as mesmas palavras em francês. Ambos vídeos foram divulgados pelas YPG em seu site.

Nos filmes, König explica que conheceu seu marido, Ibrahim, um militante do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), pela internet e que depois decidiu se mudar para a Síria.

König detalhou que, após ser capturada pelas YPG, permaneceu em um campo de deslocados em Al Hol, no sul da província nordeste síria de Al Hasaka, onde todas suas necessidades básicas, como comida e abrigo, foram cobertas.

No entanto, "tive medo que fossem me levar para outro campo, encontrei um telefone e liguei para minha mãe, disse que tinha medo e que tinha escutado que havia injustiça e prostituição no campo das YPG, mas na prisão onde estou não há nada disso,"apontou König em árabe.

A jihadista apontou que após sua detenção, foi interrogada durante "uma hora ou duas" e que tiraram fotos e pegaram suas impressões digitais.

"Não há problema com a investigação - sublinhou -. É normal, como no meu país, é uma experiência difícil, mas são só perguntas, não há problema".

Com a publicação destes vídeos, as YPG pretendem desmentir as declarações feitas pela mãe de König ao jornal "Ouest-France", para onde afirmou que sua filha estava sendo "interrogada e torturada" na Síria, por isso exigia sua repatriação.

Em um comunicado, as YPG lembraram que a jihadista francesa era um dos membros mais procurados do EI na Europa e que foi capturada em 12 de dezembro por unidades antiterroristas.

Em 2 de janeiro, fontes antiterroristas francesas confirmaram ao canal "France 2" a captura de König por parte das milícias curdas na Síria.

Nascida em 1984 de um pai gendarme que praticamente não conheceu, foi a primeira mulher que desde setembro de 2015 figurava na lista americana de combatentes terroristas estrangeiros.

Foi criada na Bretanha em uma família de quatro irmãos e sua radicalização está documentada desde 2010, quando já passeava pelas ruas da cidade de Lorient com o "niqab", um véu que cobre o rosto.

Em 2012, após a dissolução pelas autoridades do grupo Forsane Alizza com o qual esteve vinculada na atividade panfletária, deixou os dois filhos na França para se encontrar na Síria com seu marido.

Ele tinha ido embora para se alistar no que depois seria o EI e morreu durante o conflito, de acordo a versão de meios franceses.

König tentava capturar novos recrutas, incitar à execução de atentados e, mais geralmente, à divulgação de propaganda jihadista desde as redes sociais.

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