Merkel e Schulz tratam de política europeia em negociação para formar governo

Berlim, 8 jan (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o líder social-democrata, Martin Schulz, trataram nesta segunda-feira de questões de política europeia, após o início ontem da rodada de negociação entre os partidos para abordar a formação de um novo governo de coalizão.

A reunião de ontem discorreu em "clima construtivo", afirmou hoje Schulz, antes de entrar nas sessões desta segunda-feira e à espera que, até o fim desta semana, seja possível apresentar resultados concretos.

Schulz reiterou nos últimos dias a necessidade de buscar posições conjuntas em relação à Europa e a apoiar as reformas formuladas pelo presidente da França, Emmanuel Macron.

O ministro das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, do Partido Social-Democrata (SPD, sigla em alemão), exigiu ontem, em declarações à emissora de televisão pública "ARD", que a política europeia é considerada um eixo para um possível pacto de coalizão e criticou que, até agora, o peso das discussões estejam em questões de política interna.

A Alemanha deve dar uma resposta apropriada a Macron, além de respaldar seu rumo reformista, indicou Gabriel.

Até agora, o bloco conservador de Merkel mostrou certas reservas em relação à proposta de Macron de dotar a zona do euro com um orçamento próprio e um ministro de Finanças.

Por outro lado, Schulz não só apoia explicitamente a linha do presidente francês, mas, inclusive, pretende promover a ideia de construir os "Estados Unidos da Europa" até 2025.

Esta semana é considerada crucial para a possível reedição de uma grande coalizão, três meses e meio depois das eleições e após o fracasso das negociações entre o bloco conservador, os verdes e os liberais para formar uma aliança de governo.

Schulz inicialmente tinha descartado a possibilidade de reeditar uma grande coalizão, após os péssimos resultados obtidos pelo SPD nas eleições de 24 de setembro, mas se viu forçado a dialogar diante da falta de uma alternativa para formar um governo estável.

As consultas desta segunda-feira acontecem na sede da União Democrata-Cristã (CDU, na sigla em alemão), o partido presidido por Merkel, depois que ontem as conversas ocorreram na sede do SPD, enquanto que a União Social-Cristã na Baviera (CSU) será a anfitriã amanhã, em sua delegação em Berlim.

Merkel, Schulz e o líder bávaro, Horst Seehofer, presidem as reuniões, mas corresponde a uma equipe integrada por 36 membros - 12 para cada partido - elaborar a "letra pequena" de cada um dos pontos.

A chanceler expressou ontem seu otimismo em relação à possibilidade de obter a autorização para outra grande coalizão, que seria a terceira sob a sua liderança, após as que ela dirigiu em sua primeira e terceira legislaturas, pois a segunda foi com os liberais.

A líder da CDU reafirmou o seu propósito de formar na Alemanha um Executivo sólido, capaz da dar coesão ao país.

Entre os maiores empecilhos que deverão ser solucionados está o giro para a direita da CSU, que exige um endurecimento da política de asilo e imigração.

A isso se une o fato de que Schulz se comprometeu a submeter todo acordo à aprovação de um congresso extraordinário do partido, que acontecerá no próximo dia 21, e que o mesmo será seguido por uma consulta com as bases, antes de integrar um pacto de coalizão.

Merkel, Schulz e Seehofer decidiram evitar as declarações públicas para não viciar uma negociação na qual, segundo os analistas dos grandes meios de comunicação, está em jogo o futuro político dos três.

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