Papa pede desarmamento perante temor de "incêndio bélico" em discurso

Cidade do Vaticano, 8 jan (EFE).- O papa Francisco pediu nesta segunda-feira o desarmamento total perante o perigo de qualquer fato imprevisto desencadear "o incêndio bélico", durante seu discurso ao corpo diplomático credenciado perante a Santa Sé.

Em sua felicitação pelo ano novo, os embaixadores dos 185 países com os quais a Santa Sé mantém relações diplomáticas repassou os "graves conflitos locais que seguem incendiando distintas regiões da Terra".

Francisco lamentou "que os esforços coletivos da comunidade internacional, a ação humanitária das organizações internacionais e os incessantes pedidos de paz que provêm das terras ensaguentadas pelos combates parecem ser cada vez menos eficazes perante a lógica da guerra".

Perante isso, explicou que o "desarmamento completo e o desenvolvimento integral estão estreitamente relacionados entre si" e "que a proliferação de armas agrava certamente as situações de conflito".

O papa utilizou as palavras da encíclica "Pacem in terris" de João XXIII para se referir aos dias de hoje, como quando afirmava que "um fato qualquer imprevisível pode inesperadamente provocar o incêndio bélico".

A respeito, Francisco afirmou que é "primordial que seja possível sustentar o diálogo na península coreana, a fim de encontrar novas vias para superar os atuais confrontos, aumentar a confiança mútua e assegurar um futuro de paz ao povo coreano e ao mundo inteiro".

Também advogou pelas distintas iniciativas de paz a favor da Síria e do Iraque e para que seja encontrada uma solução política que permita a presença na região de dois Estados independentes, a Palestina e Israel, dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas.

Francisco pediu que a comunidade internacional "também não se esqueça do sofrimento em tantas partes do continente africano e sublinhou a urgência de um compromisso comum na Ucrânia e que "haja as condições" para que as eleições previstas na Venezuela durante o ano corrente dêem início à solução dos conflitos.

O papa falou que é preciso "lembrar que as migrações sempre existiram" e pediu aos governantes que "saibam acolher, promover, proteger e integrar".

Além disso, Francisco agradeceu aos países que oferecem ajuda aos numerosos refugiados e entre eles citou Bangladesh, que acolheu o povo rohingya, mas também à Itália e outros Estados europeus, especialmente Grécia e Alemanha.

Francisco começou seu discurso lembrando que neste ano a adoção por parte da Assembleia Geral das Nações Unidas da Declaração dos Direitos Humanos completa 70 anos.

O papa indicou que muitos direitos fundamentais "estão sendo ainda hoje pisoteados" como "o direito à vida, à liberdade e à inviolabilidade de toda pessoa humana" e entre eles citou o aborto, que "descarta crianças porque estão doentes ou com más formações ou pelo egoísmo dos adultos".

Por fim, Francisco falou em seu longo discurso da necessidade do cuidado "da nossa Terra" e que "a mudança climática, com o aumento global das temperaturas e os efeitos devastadores, é também uma consequência da ação do homem ".

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